Empresários elogiam decisão do governo de elevar controle fiscal

As medidas, segundo eles, são condizentes com um momento de incertezas na economia mundial e devem contribuir para a redução das taxas de juros

Wellington Bahnemann e André Magnabosco, da Agência Estado,

29 de agosto de 2011 | 22h46

A decisão anunciada nesta segunda-feira pelo governo federal, de aumentar o controle fiscal e mirar um superávit primário de R$ 90,8 bilhões para o governo central em 2011, foi bem recebida por executivos de grandes companhias do País. As medidas, segundo eles, são condizentes com um momento de incertezas na economia mundial e devem contribuir para a redução das taxas de juros. A aposta é de que medidas como essa garantam a continuidade do crescimento da economia, situação que permitirá às companhias manter inalterados os planos de investimentos e projeções de crescimento para 2011.

 

O vice-presidente de Relações Corporativas da Ambev, Milton Silegman, avaliou como positiva a medida do governo federal, lembrando que a redução dos custos é uma prática comum no mundo corporativo em momentos de crise. "Todas as empresas em um ano como esse, no qual se vive uma quebra de expectativa em relação ao crescimento, estão adaptando os custos. Ao elevar o superávit primário, o governo está segurando os custos governamentais", disse o executivo, afirmando que esse cenário não altera as perspectivas da empresa no País.

 

Para o diretor-presidente da Renner, José Gallo, o plano anunciado nesta segunda-feira tem outro efeito importante: a concordância entre os diferentes níveis do governo federal. "Observamos o ministro da Fazenda dando autoridade para o Banco Central e a presidente dizendo que não podemos ignorar a crise. É o comando econômico falando a mesma linguagem, o que é muito bom", ressaltou.

Na visão do presidente da Suzano Papel e Celulose, Antonio Maciel Neto, o pronunciamento feito pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, é um importante sinal de que o governo manterá a taxa de juros em um patamar no qual seja efetivo o controle sobre o processo inflacionário, mas que essa política será acompanhada de uma queda nos juros.

 

"Acredito que nesse momento, com sinais de desaquecimento da economia e um cenário externo muito desfavorável, seria um exagero manter as taxas de juros elevadas", afirmou. A redução dos juros ainda ajudará a enfrentar o movimento de valorização do real, apontado por Maciel como a grande ameaça à indústria brasileira.  

 

Desaceleração

 

A despeito dos sinais de desaceleração da economia brasileira, as perspectivas continuam favoráveis, apontam os executivos. "Falarmos em 3,5% não significa falarmos de um crescimento pequeno", ponderou o diretor presidente da Vivo, Antonio Carlos Valente. Amparado por indicadores de aumento da renda do trabalhador, o executivo afirmou que os planos da companhia para o ano permanecem inalterados.

 

"Para o nosso setor, além do crescimento da economia, é muito importante que esse movimento se dê com o crescimento da renda. E nesse caso não vemos nenhum sinal de mudanças no processo de condução da política econômica", ressalvou. Por conta disso, a companhia manteve sua estratégia de compra de equipamentos voltada às vendas de final de ano.

 

Na mesma linha, o presidente da ALL, Paulo Basílio, ressaltou que não há qualquer indicação de desaceleração no setor logístico. "Nas conversas que temos tido, não sentimos nenhuma mudança nos planos de investimentos de nenhum de nossos clientes", afirmou. Por conta disso, a companhia mantém a previsão de ampliar o volume movimentado em suas linhas em no mínimo 10% ao ano, crescimento médio previsto para um horizonte de cinco anos.

 

Os planos de investimentos também permanecem inalterados. "Vemos um cenário favorável entre os exportadores de grãos e no transportes no mercado interno. Além disso, vemos os produtores capitalizados, por isso temos expectativa de outra grande safra em 2012", afirmou Basilio, referindo-se ao segmento agrícola, grande cliente da área de logística ferroviária.

 

Quem também mantém os planos de investimentos inalterados apesar da crise é a Ambev. Seligman destacou que, em 2011, a companhia está realizando o maior investimento de sua história, de R$ 2,5 bilhões, dos quais pouco mais de 50% já foram realizados. O executivo lembrou que os aportes acontecem um momento de forte queda na demanda do segmento de bebidas, como pode ser verificado nos resultados da empresa no primeiro semestre de 2011. "Estamos vindo de dois anos de forte crescimento no consumo, mas vimos no primeiro semestre de 2011 que não houve crescimento. Essa é uma mudança muito forte", argumentou Seligman que esteve, juntamente com os demais executivos, na cerimônia do prêmio Valor 1000, realizada em São Paulo na noite desta segunda-feira.

 

Apesar disso, o executivo disse que a companhia mantém as suas apostas para o mercado brasileiro, tendo em vista o aumento de renda da população e o baixo consumo per capita de cerveja do Brasil em relação a outros países. A aposta no crescimento é tanta que a empresa está lançando no meio da crise a marca Budweiser, que, no Brasil, será posicionada como uma cerveja Premium. "Desde a compra da Anheuser-Busch, sempre foi um sonho nosso lançar a marca Budweiser", afirmou o executivo, apostando no crescimento da linha Premium no País.

Embora reconheça que a desaceleração da economia não tem grandes impactos sobre o setor de saneamento, a presidente da Sabesp, Dilma Pena, manifestou temor sobre os possíveis efeitos da crise nos EUA e na Europa sobre a oferta de crédito. "Como dependemos do crédito interno e externo, temos uma preocupação. O nosso temor é que isso a restrição de crédito e o aumento do custo afeta a renegociação das nossas dívidas e a nossa capacidade de financiamento", argumentou a executiva, que ponderou que a companhia ainda não sentiu nenhum problema nesse sentido.

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