Lourival Sant'Anna/Estadão
Lourival Sant'Anna/Estadão

Empresários cobram metas de desenvolvimento sustentável dos presidenciáveis

Grupo com mais de 80 empresas divulga carta aberta aos candidatos à presidência nas eleição de 2022 pedindo compromisso com o meio ambiente

Bruno Villas Bôas, O Estado de S.Paulo

03 de abril de 2022 | 05h00

 

Rio - Mais de 80 grupos empresariais, que respondem por quase a metade do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, querem que os futuros candidatos à Presidência honrem compromissos já assumidos pelo País para um desenvolvimento sustentável. Em carta aberta aos presidenciáveis, articulada pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) e divulgada hoje, o empresariado sugere 12 linhas de ação.

“O desenvolvimento sustentável deve direcionar qualquer governo. Não é uma agenda partidária, mas de Estado e da sociedade brasileira. Honrar compromissos já assumidos pelo País é o primeiro passo da jornada”, diz Marina Grossi, presidente do CEBDS, que espera entregar o documento aos pré-candidatos em evento a ser realizado em junho.

A carta pede o cumprimento de compromissos como garantir os direitos humanos, zerar o desmatamento ilegal até 2028, reduzir 50% das emissões de gases de efeito estufa (GEE) até 2030 e universalizar serviços de saneamento básico, por exemplo. São objetivos sociais e ambientais assumidos pelo País em diferentes fóruns, como na 26.ª Conferência do Clima da Organização das Nações Unidas (COP-26), realizada na Escócia no ano passado.

Outras demandas incluem a criação de um mercado de carbono regulado, o desenvolvimento de sistemas alimentares com práticas agrícolas sustentáveis e um plano estratégico de transição energética. Há ainda proposta de acabar com lixões e elaborar um plano de redução de desigualdades sociais.

Empresas de peso

A carta foi aprovada pelas empresas representadas, embora elas não assinem diretamente o documento. São pesos-pesados da economia, responsáveis por mais de 1 milhão de empregos, de setores como agronegócio (Cargill e Amaggi), frigoríficos (BRF e JBS), cosméticos (Natura e Boticário) e tecnologia (Microsoft e Amazon). O CEBDS tem associados na mineração (como Vale e Anglo American), bancos (Itaú e Santander) e alimentos e bebidas (Nestle e Ambev). 

Essa não é a primeira vez que o empresariado se mobiliza para cobrar desenvolvimento sustentável do setor público. No ano passado, diante de ameaças externas de retiradas de investimentos e boicote a produtos brasileiros, empresários lideraram uma série de movimentos para se blindar do posicionamento ambiental do governo Bolsonaro, com manifestações públicas de preocupação sobre o desmatamento e outras cobranças. Uma das cartas pedia, por exemplo, protagonismo do País na COP-26.

Competitividade

Marina explica que as propostas devem ser abordadas de forma integrada pelos presidenciáveis em seus planos de governo, apesar de o documento listá-las individualmente. “São medidas capazes de estimular o governo brasileiro a desempenhar um papel de vanguarda. São projetos que trazem competitividade para o País, com efeito em toda a economia e que cabem dentro de quatro anos de mandato.”

Teresa Vernaglia, CEO da BRK Ambiental, uma das empresas ligadas ao CEBDS, lembra que a organização realizou iniciativa semelhante em 2018, quando apontou aos presidenciáveis a necessidade de mudanças estruturais para a regulamentação do setor de saneamento. O Novo Marco do Saneamento acabou editado em 2020. “Pelo menos 19 milhões de pessoas já foram beneficiadas em mais de 200 municípios de diferentes Estados.” 

Cobranças

Entre as ações listadas na carta, estão o compromisso de zerar o desmatamento ilegal até 2028, redução em 50% nas emissões de gases de efeito estufa até 2030, universalização de serviços de saneamento básico, desenvolvimento de práticas agrícolas sustentáveis e eliminação de lixões.

Influência econômica

O Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) reúne grupos empresariais que, juntos, empregam mais de 1 milhão de pessoas e tem representantes do agronegócio, de bancos, frigoríficos, mineração, tecnologia e alimentação, entre outros setores.

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