Robson Fernandjes/Estadão
Robson Fernandjes/Estadão

Empresas de educação voltam a atrair investidores na Bolsa

Posse de novo ministro da Educação e liminares judiciais ajudaram a impulsionar os papéis das instituições de ensino

KARIN SATO, Victor Vieira, Dayanne Sousa, O Estado de S.Paulo

10 de abril de 2015 | 02h05

As ações do setor de educação, penalizadas desde o início do ano, após o governo anunciar alterações nas regras do programa de financiamento estudantil Fies, estão voltando aos poucos a compor o portfólio dos investidores. Os papéis sobem desde o fim do mês passado.

Na quinta-feira, 9, a Kroton registrou valorização pelo oitavo pregão consecutivo, fechando com alta de 0,76%. No mês de abril, a empresa acumula ganhos de 17%. Estácio avançou 2,71%, com expansão acumulada neste mês de 11,5%. Ser Educacional subia 2,05% e Anima, 2,99%. No acumulado deste ano, esses papéis recuam 22%, 13%, 54% e 50%, respectivamente.

Uma série de notícias e acontecimentos explica o movimento. Uma delas é a mudança de ministro da Educação. Nos poucos meses em que ocupou a pasta, o ex-ministro, Cid Gomes, deu declarações contundentes que indicavam mudanças profundas nos programas de incentivo à educação, o que gerou insegurança no mercado, lembram os analistas da Coinvalores, Felipe Silveira e Daniel Liberato.

Na última segunda-feira, o novo ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, adotou um discurso mais cauteloso ao tomar posse, dando a entender que as mudanças podem se dar de forma gradual. Ele disse que os problemas no Fies, que têm atrasado o repasse a universidades privadas, precisam ser cuidados para que não se repitam.

Ribeiro admitiu que o MEC poderá atrasar programas ou fazer um reescalonamento, a depender do tamanho do corte no orçamento da União, mas lembrou que a presidente Dilma Rousseff insistiu, durante um pronunciamento, que os programas estruturantes serão preservados. "Precisamos ver o que pode ser adiado sem maiores prejuízos. Vamos tentar escalonar", disse o ministro. Para Marco Aurélio Barbosa, analista da CM Capital Markets, "a interlocução entre o MEC e o setor privado deve melhorar".

Algumas vitórias na Justiça nas últimas semanas também têm ajudado a impulsionar as ações do setor. Na terça-feira, por exemplo, o Sindicato das Mantenedoras de Ensino Superior do Estado de São Paulo (Semesp) conseguiu uma liminar contra a "trava" de reajuste de mensalidades imposta pelo MEC para as faculdades que participam do Fies, programa de financiamento estudantil. A decisão vale para cerca de 200 instituições filiadas à entidade, entre elas algumas das maiores do País no ensino privado.

Neste ano, foi fixado o índice oficial da inflação, de 6,41%, como teto para o reajuste de mensalidades. Depois disso, entidades e escolas passaram a entrar na Justiça contra a "trava". Por enquanto, os Tribunais Regionais Federais da 1.ª e da 5.ª Regiões já derrubaram liminares favoráveis ao setor privado.

Otimismo. Em eventos e encontros com analistas, os próprios executivos das empresas têm demonstrado mais otimismo. Na terça-feira, por exemplo, a Estácio teve uma reunião com analistas e, no dia seguinte, relatórios de diferentes instituições financeiras falavam na manutenção da perspectiva de crescimento da companhia e de sua disposição para fazer fusões e aquisições.

Na quarta-feira, 8, o presidente da Kroton, Rodrigo Galindo, disse que a companhia deve chegar ao topo de sua meta de crescimento da base de alunos no primeiro semestre de 2015. Segundo ele, a empresa deve firmar uma parceria com uma instituição financeira para lançar, em 2016, um produto de financiamento estudantil de longo prazo. Na avaliação de analistas, o mercado penalizou os papéis do setor em excesso, após as mudanças no Fies. "O impacto nas ações foi superior ao impacto nos fundamentos", diz Liberato. 

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