Alex Silva/Estadão
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Empresas devem pautar debate ambiental, diz ex-ministra

Para Izabella Teixeira, sociedade como um todo deve pressionar por cumprimento do Acordo de Paris

O Estado de S.Paulo

14 Dezembro 2017 | 22h03

A ex-ministra do Meio Ambiente Izabella Teixeira cobrou das empresas uma postura de liderança no processo de condução do País para uma economia de baixo carbono, mais sustentável e com menor emissão de gases de efeito estufa.

"Não esperem isso (liderança) do governo. O governo só será propositivo se provocado pela sociedade. Caso contrário, será sempre reativo", afirmou, na noite de quarta-feira, 13, durante a cerimônia do Prêmio Eco 2017, promovido pela Câmara Americana de Comércio (Amcham) e pelo Estadão.

O Brasil se comprometeu a reduzir sua emissão de gases em 2015, quando ratificou o Acordo de Paris. De acordo com a ex-ministra, porém, a discussão de como essa redução será feita está atrasada. Há, segundo ela, apenas alguns grupos na sociedade civil e em empresas trabalhando para adaptar o Brasil a esse novo modelo econômico. Esses grupos, porém, não contam com uma visão estratégica, afirmou. "Por onde o Brasil quer ir? Quais são os desafios? As rotas de inovação tecnológica? Os requisitos de financiamento? Vamos continuar esperando o governo dizer por onde deveremos ir?", questionou.

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Izabella destacou que, ao contrário dos políticos, as companhias desenvolvem estratégias e fazem planejamentos de longo prazo. "Todos vocês imaginam suas empresas daqui a 30 anos, não imaginam só daqui a quatro anos, como alguns governos. E obviamente vocês têm nas mãos o ativo de pressionar politicamente por uma mudança", afirmou.

Para ela, a discussão não deve ficar restrita a ambientalistas, pois o assunto definirá os rumos dos negócios em um cenário de incerteza ambiental, que inclui as mudanças no clima e seus impactos. "Há uma plataforma montada para o Brasil avançar e isso não é tão dependente do governo. Depende mais de um arranjo dos empresários, de buscar caminhos das parcerias e de desenvolver negócios na linha de baixo carbono", acrescentou.

A ex-ministra lembrou que a participação empresarial já aumentou nos últimos 25 anos, pois, na Eco-92 (Conferência das Nações Unidas Sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento), realizada no Rio de Janeiro em 1992, a participação do setor privado foi praticamente nula. Esse cenário mudou completamente em 2012, na Rio+20, em que "o setor empresarial teve uma participação estratégica para a concepção dos objetivos da conferencia".

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