Empresas dizem que Cesp ainda interessa, mas a preço adequado

Empresas que desistiram de participardo leilão de privatização da Cesp reafirmaram nesta terça-feirainteresse na maior geradora de energia do Estado de São Paulo,mas cobraram um preço mais adequado ao risco embutido nonegócio. A incerteza quanto às condições de renovação das concessõesde duas importantes usinas que compõem o complexo gerador daCesp --Ilha Solteira e Jupiá-- foi o principal impeditivo aodepósito das garantias, que deveria ter ocorrido até o meio-diadesta terça-feira, apontaram as empresas. "Os ativos de geração da Cesp têm grande interesseestratégico", informou em nota a Alcoa, uma daspré-identificadas para o leilão que aconteceria naquarta-feira. "Continuamos acompanhando com viva atenção a evolução doprocesso de venda da empresa; uma vez solucionadasatisfatoriamente a questão da extensão das concessões, aprivatização certamente ganhará melhor perspectiva", concluiu. Para o presidente do Conselho da Tractebel Energia,Mauricio Bahr, "a Cesp faz todo o sentido para o plano deexpansão do grupo". Ele cobra, no entanto, uma definiçãoregulatória que não interfira na precificação da empresa. O grupo de origem francesa acredita que o governo paulistapossa conseguir uma solução para renovação das concessões emcondições claras, que permitam uma definição melhor do preço. O governo paulista tinha estabelecido em 6,6 bilhões dereais a fatia de controle na empresa, mas o negócioultrapassaria os 22 bilhões de reais considerando-se a ofertaaos acionistas minoritários e dívidas da estatal. Paraanalistas, o preço era justo. Para os potenciais investidores,ele não descontava os riscos embutidos. A Energias do Brasil, também pré-identificada para oleilão, confirmou que a Cesp continua sendo de interesse dogrupo de origem portuguesa, tendo desistido do negócio emfunção do risco elevado. "A decisão está baseada em diversos fatores, entre os quaiselevados riscos e incertezas decorrentes do desconhecimento dascondições econômicas e administrativas relativas àpossibilidade de renovação das concessões das hidrelétricas",informou em nota. A empresa destacou ainda o desconhecimento do exatodimensionamento das contingências associadas a alguns dosativos, em particular às contingências ambientais de PortoPrimavera. Também tinham se apresentado originalmente comointeressadas no leilão da Cesp a CPFL Energia e a Neoenergia,do grupo espanhol Iberdrola, este último o primeiro a informarque havia desistido do leilão por incertezas em relação àrenovação das concessões. (Edição de Denise Luna)

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