Empresas do Brasil com high yield estão aptas a enfrentar crise, diz Fitch

Em relatório, agência destacou que quase metade das companhias brasileiras com nota B+ ou inferior possui mais dinheiro do que dívidas no curto prazo

Gustavo Nicoletta, da Agência Estado,

15 de dezembro de 2011 | 15h11

SÃO PAULO - A agência de classificação de risco Fitch Ratings afirmou que as empresas do Brasil e da América Latina cujas dívidas são consideradas investimentos altamente especulativos estão aptas a suportar eventuais efeitos negativos sobre a demanda por bens e serviços provocados pela crise da zona do euro e por um potencial desaquecimento na economia da China.

Num relatório divulgado nesta quinta-feira, 15, a Fitch diz que "os balanços das 44 empresas da América Latina com nota B+ ou inferior são fortes e possuem fluxos de caixa saudáveis levando em consideração o nível dos ratings". Além disso, segundo a agência, "quase metade dessas companhias possui mais dinheiro do que dívidas no curto prazo".

As empresas brasileiras, em particular, possuem as melhores condições para contornar um eventual choque nos preços das commodities causado por um desaquecimento maior que o esperado na economia da China, visto que quase todas as 11 companhias mencionadas pela Fitch no relatório não estão expostas diretamente a esse risco.

A agência também afirma que as empresas do Brasil com posições de destaque em seus respectivos setores provavelmente conseguirão acesso a financiamento dos bancos do País, que estão bem capitalizados e possuem uma exposição muito limitada à Europa. "As companhias mais vulneráveis são as do setor de construção e aquelas secundárias em suas respectivas indústrias", acrescentou.

As empresas brasileiras mencionadas pela Fitch no relatório são a Usina Vista Alegre (que possui rating B-), a Ceagro (B), a Cimento Tupi (B), a Galvão Participações (B), a Marfrig (B+), o Minerva (B+), a OAS Engenharia e Participações (B), a OGX (B+), a Rede Energia (CCC), a Sifco (B-) e a TAM (B+).

O relatório da Fitch também apontou que o mercado de bônus praticamente fechou para os créditos mais fracos durante o segundo semestre de 2011. Segundo a agência, cinco das empresas latino-americanas com crédito altamente especulativo tentaram emitir títulos no mercado internacional após junho, mas não obtiveram sucesso - Usina Vista Alegre, Arendal, Celulosa Argentina, Clisa e ODS.

Nos dois primeiros trimestres deste ano, a situação era oposta. O ritmo de emissões era recorde e as empresas da América Latina captaram US$ 29 bilhões com a venda de títulos durante o período. No terceiro trimestre, as emissões de bônus somaram US$ 7 bilhões, tendo no mês de agosto um período particularmente fraco para papéis com grau de investimento mais baixo. Em outubro e novembro, houve uma leve recuperação e as companhias da América Latina conseguiram levantar US$ 11 bilhões com essas operações.

As informações são da Dow Jones.

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