Divulgação/Anfavea
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Há empresas interessadas na produção de chips no Brasil, diz novo presidente da Anfavea

Investimento seria na casa de US$ 2 bilhões; Leite tem se reunido com Paulo Guedes e afirma existir consenso entre poderes público, privado e universidades da urgência em nacionalização desse item

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

10 de maio de 2022 | 17h15

Indústria automotiva e a de produtos eletroeletrônicos avançam nas discussões com o governo federal sobre medidas para atrair investimentos na produção local de semicondutores. Nos próximos meses, é possível que algum projeto seja anunciado, disse nesta terça-feira, 10, o novo presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Márcio de Lima Leite.

Segundo ele, há um consenso entre os setores público, privado e acadêmico da urgência em se nacionalizar o componente que, no caso do setor automotivo, tem levado fábricas do mundo inteiro a suspenderem a produção desde o fim de 2020. No Brasil, só neste ano, 14 fábricas - de um total de 59 - já paralisaram operações por algum tempo em razão da escassez dos chips.

“Há empresas que já atuam no setor com interesse em ter fábrica local de semicondutores”, disse Leite, em evento online para divulgar o balanço da indústria automotiva em abril. De acordo com ele, seriam necessários aportes de até US$ 2 bilhões em um projeto desse tipo, mas possíveis investidores estão avaliando a busca de ‘funding’. “Não sei dizer se só privado ou com alguma participação do governo”, afirmou.

O executivo assumiu o cargo à frente da Anfavea na segunda-feira da semana passada e já teve duas reuniões com o ministro Paulo Guedes e outros representantes do governo, incluindo uma participação online do presidente Jair Bolsonaro em uma delas. “Não pedimos nada, apenas apresentamos um diagnóstico do setor, e queremos ajudar a construir uma pauta para sua reorganização”.

Na próxima semana ou na seguinte haverá um novo encontro, informou Leite. Ele ressaltou que, até 2023 estão previstas as inaugurações de 29 fábricas de semicondutores na Ásia, Estados Unidos e Alemanha, sendo duas delas no segundo semestre deste ano, o que deve ajudar as fabricantes brasileiras a ampliarem a produção.

Anfavea espera melhora no 2º semestre

Nos primeiros quatro meses deste ano, foram produzidos 681,6 mil veículos no País, incluindo caminhões e ônibus, número 13,6% menor que o de igual período de 2021. A Anfavea calcula que pelo menos 100 mil unidades deixaram de ser fabricadas em razão da escassez de vários componentes, principalmente microchips.

Com as novas fábricas, Leite espera uma melhora no ritmo de produção no segundo semestre, mas insiste na urgência da produção local de itens considerados estratégicos. “A pandemia nos abriu essa oportunidade e não podemos desperdiçá-la”, disse.

Em relação às vendas, o quadrimestre fechou com 552,9 mil unidades comercializadas, queda de 21,4% ante o mesmo intervalo do ano passado. Abril, contudo, teve alta nas vendas diárias e o mesmo vem se repetindo no começo de maio.

O presidente da Anfavea acredita que o rimo de crescimento será mantido, mesmo com os reajustes de preços feitos pelas montadoras, os juros altos, a dificuldade de crédito e a queda do poder de compra dos trabalhadores.

Segundo ele, há uma demanda reprimida em razão da falta de produtos nas lojas, e o setor não sabe ainda que tamanho terá o mercado brasileiro quando o problema dos chips for resolvido. “É um tema que estamos avaliando”.

Na contramão, as exportações aumentaram 17,9% de janeiro a abril, para 152,8 mil unidades. Os mercados da região que ma si estão crescendo são Chile e Colômbia.

Já a mão de obra das montadoras de veículos diminuiu em 1,6 mil vagas neste ano, para 101,7 mil trabalhadores. Somando com os das fabricantes de tratores, o saldo é positivo em quase 1,9 mil postos.

Sem 'salão' do automóvel

Pelo terceiro ano seguido, o Brasil não terá o Salão do Automóvel. O evento marcado para agosto deste ano, que teria formato diferente e se chamaria São Paulo Motor Experience, foi adiado para 2023.

“A desorganização da cadeia de suprimentos criou um desafio maior para as empresas que, em razão desse momento específico, preferem focar na produção e em fazer o mercado crescer”, justificou Leite.

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