Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Empresas ligadas a Carlos Wizard tentam se afastar de posições do empresário

Após depor na CPI da Covid, ele foi alvo de manifestações da britânica Pearson (hoje dona da marca Wizard), da WiseUp e da IMC; empresário defende o 'tratamento precoce', que não tem eficácia comprovada contra a covid

André Jankavski, Cássia Miranda e Marina Aragão, O Estado de S.Paulo

01 de julho de 2021 | 05h00

O empresário Carlos Wizard Martins, principal acionista da holding Sforza, decidiu ficar calado durante toda a sessão da CPI da Covid no Senado, ontem. Porém, as empresas em que Martins detém participação, ou até mesmo aquelas que já foram vendidas por ele, estão tentando se afastar das posições do empresário, que é defensor do “tratamento precoce”, que não tem eficácia comprovada no combate à covid-19

Um deles é Flávio Augusto, CEO da Wiser Educação, dona da escola de idiomas Wise Up, na qual Martins tem fatia de 35% desde 2017. Em entrevista ao Estadão, Augusto faz questão de destacar que Martins é apenas um acionista, mas que não participa nem do dia a dia da companhia, nem do conselho de administração.

“O Carlos é minoritário e nunca participou da gestão nem interage em nada na companhia. Quando ele começou a se aproximar do governo, no passado, fui muito categórico nas minhas redes em dizer que não tinha conhecimento do assunto”, diz Augusto. “Se ele pedisse a minha opinião, eu não concordaria. Mas ele é livre e faz aquilo o que deve fazer. Para nós, não atrapalha em nada, pois é uma posição pessoal dele. Eu só lamento.” 

A rede de escolas Wizard, que Martins fundou no fim dos anos 1980, foi comprada pela empresa britânica Pearson em 2013. Porém, como a marca Wizard carrega o nome do empresário, a vinculação nas redes sociais foi imediata. Ontem, a empresa soltou uma nota se solidarizando com “as centenas de milhares de vidas que se foram” no Brasil em decorrência da pandemia de covid-19.

“A Wizard by Pearson aproveita a oportunidade para se expressar em favor da vida, da saúde e da ciência”, disse, em nota. 

Ainda em 2020, quando Martins pleiteava ocupar um cargo no governo, a Pearson já se movimentava para mostrar que a empresa não tinha qualquer vínculo com o seu fundador. Não à toa, pediu à Justiça a publicação de uma declaração dando conta de que a marca não tem vínculo com o empresário.

A ação de protesto da empresa foi movida na 2.ª Vara Cível de Campinas, e solicitava que o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo divulgasse a informação em seu Diário Oficial, o que ocorreu em agosto.

Outras marcas que foram criticadas em mensagens nas redes sociais foram os restaurantes Pizza Hut e a KFC, que já tiveram Martins como controlador. Em 2019, a Sforza fundiu a sua operação da MultiQRS, detentora das operações da Pizza Hut e KFC no País, com a IMC, dona de marcas como Frango Assado e Viena. Hoje, Martins tem 2,9% das ações da empresa – seus filhos Lincoln e Charles detêm outros 6,3%. A companhia, em nota, diz que Martins “não atua na gestão da IMC e tampouco tem cadeira no conselho de administração.” 

Hoje, a Sforza continua com marcas como a varejista de alimentos saudáveis Mundo Verde, além das esportivas Topper, Rainha e a Aloha, de óleos essenciais. Procurada, a Sforza não comentou. 

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