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Endividada, Oi anuncia mais de mil demissões e fechamento de vagas

Ajuste é parte da estratégia da empresa para reduzir custos diante de um endividamento que atingiu R$ 30,6 bilhões em dezembro do ano passado; número de trabalhadores demitidos representa 6% do atual quadro da companhia

Idiana Tomazelli, O Estado de S. Paulo

01 Abril 2015 | 13h42

Atualizado às 22h30

A Oi anunciou que vai demitir 1.070 funcionários diretos neste mês, o equivalente a 6% de seu quadro atual. Segundo a operadora, o corte é parte do seu plano para simplificar sua estrutura organizacional. A iniciativa atingirá trabalhadores em todos os níveis e se soma ao desligamento de 150 executivos anunciado no fim do ano passado.

Representantes de trabalhadores do setor afirmam que a Oi pretendia dispensar o dobro de pessoas, mas voltou atrás após uma rodada de negociações. A operadora nega a informação.

O ajuste no número de postos de trabalho faz parte da estratégia do presidente da Oi, Bayard Gontijo, para reduzir custos diante de seu alto endividamento (em dezembro, os débitos somavam R$ 30,6 bilhões). Gastos administrativos, incluindo viagens, e renegociação de contratos com fornecedores também estão na mira da empresa. As medidas já resultaram em redução próxima de 20% nas despesas com pessoal, calcula a Oi.


“O ano de 2015 é desafiador em todo o contexto macroeconômico do País e também no setor de telecomunicações. Considerando este cenário e os próprios desafios da companhia, a Oi desenvolveu um Plano Orçamentário para 2015 para assegurar ganhos de produtividade e de rentabilidade, com vistas ao fortalecimento da empresa”, justificou a empresa em nota.

As demissões resultam de “uma análise profunda da estrutura e dos negócios da companhia”, segundo a Oi. Além das dispensas, a empresa informou que vagas foram bloqueadas.

A intenção inicial da Oi era cortar quase 2 mil postos de trabalho em abril, de acordo com o presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores de Empresas de Telecomunicações (Fenattel), Almir Munhoz. Segundo ele, a Oi recuou após algumas negociações. A empresa nega que tenha cogitado um corte maior.

Munhoz esteve nesta quarta-feira em uma reunião com representantes da empresa de telefonia para tentar assegurar alguns benefícios extras aos empregados que serão dispensados. A Fenattel solicitou um mês de salário por ano trabalhado, mas o que ficou acertado foi o pagamento adicional de 10% do salário anual mais quatro meses de plano de saúde e três no seguro de vida.

“Estou muito preocupado com a situação do setor e do País. O Brasil está um caos. Todos os setores estão demitindo”, disse Munhoz. Segundo o sindicalista, além da Oi, a Telefônica cortou cerca de mil vagas no fim de 2014 e a Nextel demitiu em março outros mil funcionários em São Paulo.

O Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Telecomunicações e Operadores de Mesas Telefônicas no Estado do Rio de Janeiro (Sinttel-Rio) informou que, dos 1.070 funcionários que serão demitidos pela Oi, 500 são do Rio de Janeiro, onde fica a sede da telefônica.

“O maior prejudicado será o Rio de Janeiro. Sindicato e trabalhadores foram pegos desprevenidos. Sabemos que setores inteiros foram extintos com essas demissões”, disse Marcelo Lopes, diretor do Sinttel-Rio.

O sindicato ainda está fazendo um levantamento para saber quais vagas e áreas foram eliminadas na operadora. O Sinttel-Rio fará ainda uma reunião de diretoria para definir que medidas serão tomadas para tentar reverter as dispensas na empresa. Elas podem incluir ações na Justiça, reunião com a companhia ou até manifestações.

Fusão. As ações preferenciais (PN) da Oi subiram 15,98%, nesta quarta-feira, com a notícia de que os acionistas da Telemar Participações (TmarPart) aprovaram na terça-feira medidas antecipatórias da operação de união de bases acionárias de Oi, Telemar Participações (TmarPart) e Portugal Telecom SGPS.

A operadora tem enfrentado obstáculos para o registro da incorporação das ações da Oi pela TmarPart na Securities and Exchange Commission (SEC, órgão regulador do mercado americano), condição obrigatória para migrar para o Novo Mercado, segmento de mais alta governança corporativa da BM&FBovespa.

Os acionistas da TmarPart aprovaram a alternativa para driblar as exigências: a conversão voluntária de ações preferenciais da Oi em papéis ordinários, levando em conta uma relação de troca de 0,9211 ação ordinária por cada ação preferencial. A proposta está sujeita à adesão dos acionistas. As medidas antecipatórias também estão sujeitas à anuência prévia da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

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