Paulo Whitaker/Reuters
Paulo Whitaker/Reuters

Endividamento da Petrobrás cai mais de 11% no segundo trimestre

Montante atingiu R$ 397,76 bilhões no período e alavancagem passou de 58% no primeiro trimestre para 55% ao fim de junho; avaliação da diretoria, no entanto, é de que dívida permanece elevada

Gabriela Mello, André Magnabosco, Fernanda Nunes, Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

11 de agosto de 2016 | 20h05

O endividamento bruto da Petrobrás atingiu R$ 397,76 bilhões ao fim do segundo trimestre, sendo R$ 36,513 bilhões de curto prazo e R$ 361,247 bilhões de longo prazo. O montante é 11,6% inferior aos R$ 450 bilhões devidos em 31 de março de 2016 e 19% menor do que os R$ 493,023 bilhões apurados em 31 de dezembro do ano passado.

Como a Petrobrás fechou o segundo trimestre com R$ 65,370 bilhões em caixa (incluindo títulos), a dívida líquida ao término de junho de 2016 estava em R$ 332,39 bilhões. A cifra fica 10% abaixo do endividamento líquido de R$ 369,494 bilhões verificado em 31 de março de 2016 e também é 15% inferior aos R$ 392,136 bilhões anotados em 31 de dezembro de 2015.

A alavancagem líquida da estatal, medida pela relação entre endividamento líquido e patrimônio líquido, fechou o segundo trimestre em 55%, abaixo da marca de 58% verificada ao término de março de 2016 e menor que os 60% observados ao final de junho do ano passado.

Já a relação entre dívida líquida e Ebitda em 30 de junho de 2016 era de 4,49 vezes, ante 5,03 vezes em 31 de março e 5,31 vezes em 31 de dezembro de 2015.

O diretor financeiro da estatal, Ivan Monteiro, reconheceu que a dívida da companhia permanece muito elevada, apesar da valorização do real ante o dólar e a apreciação da moeda americana em relação ao euro.

As dívidas da petroleira a vencer neste ano totalizam R$ 21,648 bilhões, ou 5,5% do endividamento total da companhia. Vencem outros R$ 25,815 bilhões no próximo ano. Somados os valores, o total a vencer entre 2016 e 2017 é menor que os recursos em caixa da empresa.

Ainda segundo o material de divulgação do resultado trimestral, 71,8% da dívida total da Petrobrás foi contraída em dólar, o equivalente a R$ 285,362 bilhões. Outros R$ 23,121 bilhões foram em euros, R$ 79,207 bilhões em reais e R$ 9,677 bilhões em outras moedas.

Para minimizar sua exposição ao câmbio, a estatal estendeu em meados de maio de 2013 a contabilidade de hedge para proteção de exportações futuras altamente prováveis. A prática contábil, que designa relações de hedge entre exportações e obrigações em dólares, ameniza o impacto cambial e, consequentemente financeiro, sobre as demonstrações da empresa.

Alavancagem. Após 2010, quando a Petrobrás fez uma megacapitalização para tornar viável a exploração do pré-sal, a relação dívida líquida e Ebitda da empresa seguia uma trajetória ascendente, influenciada principalmente pela tendência de apreciação do dólar ante o real. Isso fez com que a estatal perdesse o grau de investimento concedido pelas três principais agências de classificação de risco (Moody's, Standard & Poor's e Fitch).

Contudo, essa tendência dá sinais de arrefecimento desde o primeiro trimestre deste ano, dado o impacto positivo da apreciação do real ante o dólar sobre a dívida contraída pela estatal na moeda norte-americana.

Conforme o Plano de Negócios e Gestão 2015-2019, o indicador deve retornar a patamares inferiores a 3 vezes até 2018 e abaixo de 2,5 vezes até 2020. A estatal também prevê que a alavancagem líquida poderá cair abaixo de 40% até o final de 2018. O desejado patamar de menos de 35% deve ser alcançado até 2020. 

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