Energia renovável crescerá 40% no mundo em cinco anos, diz AIE

Boa parte desta expansão será puxada por países emergentes, como China, Brasil e Índia, segundo a Agência 

Altamiro Silva Júnior, correspondente da Agência Estado,

26 de junho de 2013 | 11h00

NOVA YORK - A geração de energia por hidrelétricas, vento, sol e outras fontes renováveis vai crescer 40% nos próximos cinco anos e ultrapassar em 2016 a energia gerada por gás no mix energético global. Além disso, será duas vezes maior do que a nuclear, de acordo com um relatório divulgado nesta quarta-feira pela Agência Internacional de Energia (AIE). Boa parte desta expansão será puxada por países emergentes, como China, Brasil e Índia, que vão compensar o menor ritmo de crescimento e maior volatilidade em mercados como Europa e Estados Unidos.

A energia renovável é a que mais cresce hoje no mundo e em 2018 responderá por cerca de 25% do mix global, destaca o documento. O porcentual é maior que os 20% estimados para aquele ano na previsão anterior feita pela agência em 2011. Esse tipo de energia será a segunda principal do mundo em 2018, atrás apenas do carvão.

Dentro da geração de energia por fontes renováveis, a participação de seguimentos que não a hidreletricidade, como eólica, energia solar e bioenergia, deve ter crescimento forte também, incluindo em países como Brasil, Turquia e Nova Zelândia, de acordo com o relatório da agência. Esse segmento deve alcançar 8% do mix global, acima dos 4% de 2011. Em 2006, eram apenas 2%.

A AIE destaca que a energia renovável vem crescendo mesmo com um contexto econômico menos favorável. No ano passado, a geração cresceu 8% em meio à crise na Europa e a uma desaceleração do ritmo crescimento nos países emergentes, que reduzem a demanda por eletricidade.

A diretora-executiva da AIE, Maria van der Hoeven, que veio a Nova York para apresentar o estudo em um fórum de energia renovável, destaca que o custo de geração de energia continua a cair, tornando-a mais competitiva que outras fontes e o Brasil foi citado como um país com custos competitivos. Mesmo assim, ela cobrou de governos de nações desenvolvidas que continuem investindo neste tipo de energia limpa, bem menos poluente que outras fontes.

Maria destacou que muitas fontes de energia renovável não mais precisam de altos incentivos econômicos ou subsídios. Ao mesmo tempo, eles necessitam de políticas de longo prazo dos governos e de um bom arcabouço regulatório.

Brasil

O Brasil será o terceiro país no mundo que mais vai aumentar a geração de energia nos próximos cinco anos,. China e Estados Unidos são os dois primeiros. Índia e Alemanha vêm após o Brasil.

Nos próximos cinco anos, até 2018, a geração de energia no Brasil terá um acréscimo de 130 terawatts-hora (TWh). A China terá incremento bem maior, com 750 TWh e os EUA terão pouco mais que o Brasil, com 150 TWh.

A China já é o mercado em que a geração de energia renovável mais cresce no mundo e deve continuar sendo nos próximos anos, destaca a diretora executiva da AIE, Maria van der Hoeven. O relatório ressalta que o país asiático já responde por 40% do crescimento global da geração de energia, sobretudo por investimentos em energia renovável, como hidrelétricas.

Segundo a AIE, os países emergentes é que vão puxar a expansão mundial da geração de energia nos próximos cinco anos, notadamente China, Brasil e Índia. Na Europa, a crise tem atrapalhado os investimentos e a demanda tem sido volátil, ressalta a executiva da agência. O documento foi apresentado hoje em um fórum de energia renovável em Nova York.

Já em crescimento porcentual de geração de energia (e não em termos absolutos), os líderes do ranking da AIE são países menores, encabeçados por Marrocos, África do Sul e Coreia.

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