Energisa leva plano de recuperação à Aneel até dia 30

O diretor-presidente da Energisa, Ricardo Botelho, afirmou que a companhia planeja entregar ainda este mês a sua versão para o plano de recuperação das oito distribuidoras controladas pelo Grupo Rede. No processo de recuperação judicial, a companhia se comprometeu a aportar até R$ 1,1 bilhão para recuperar o equilíbrio operacional e financeiro das concessões.

WELLINGTON BAHNEMANN, Agencia Estado

09 de setembro de 2013 | 21h58

"Mobilizamos 60 pessoas, entre especialistas internos nossos e consultores, para elaborar um profundo mapeamento e diagnóstico das distribuidoras, para entender a fundo a situação das empresas e elaborar um plano para Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica)", afirmou o executivo, em entrevista ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado.

A aprovação desse plano pela Aneel é fundamental para que o regulador encerre o processo de intervenção regulatória nas concessionárias, situação que se estende deste agosto de 2012.

O executivo ressaltou que o desejo da Energisa é que a troca de controle das oito distribuidoras ocorra o mais rápido possível. "Temos essa urgência. O Grupo Rede precisa da troca do seu controle até para que tenha um rumo. Por estar em intervenção do governo, algumas questões estão sendo adiadas. As distribuidoras têm compromissos, seja de investimentos, seja com os seus credores. Essa situação precisa ser equacionada o mais rápido possível", disse.

Prova da situação delicada das companhias do Grupo Rede foi uma ata arquivada pela Cemat, uma das oito distribuidoras, na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Em uma reunião que foi realizada em 30 de agosto passado, os integrantes do conselho fiscal da concessionária aprovaram o não pagamento da energia comprada por Itaipu, dada a necessidade de caixa para a realização de investimentos, que garantam o mínimo de qualidade no serviço público.

"A situação das oito distribuidoras está muito difícil. Os interventores estão tendo que tomar medidas drásticas nessas empresas. Essas medidas, com o tempo, são insustentáveis", disse Botelho. Do montante de R$ 1,1 bilhão que a Energisa está disposta a investir inicialmente, R$ 450 milhões se referem ao pagamento de mútuos entre as próprias companhias, dívida que a Aneel determinou a liquidação o mais breve possível ao novo comprador.

Além disso, as distribuidoras possuem um saldo significativo de dívidas setoriais, tais como o não pagamento de encargos setoriais. Para esse tipo de passivo, a Energisa planeja negociar com a Aneel um parcelamento. "Há precedente para o parcelamento de algumas dívidas, mas outras não. O que estamos buscando é a melhor opção às empresas na situação que estão hoje. Elas precisam ser colocadas na rota da sustentabilidade", afirmou.

Ricardo comentou que o plano de recuperação a ser apresentado ao regulador servirá como base para o "plano de integração" dos ativos à Energisa. Embora evite projetar ganhos de sinergia com a operação, o executivo afirmou que os ganhos de escala são importantes e que são a razão de o setor elétrico se movimentar no sentido da consolidação na área de distribuição. "Até o fechamento dessa transação, as oportunidades de integração serão mapeadas", afirmou.

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