REUTERS/Christian Hartmann/Files
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Engenheiro demitido do Google processa a empresa por discriminação contra brancos

James Damore teve de deixar a gigante de tecnologia após afirmar em um memorando que há causas biológicas por trás da desigualdade de gênero no Vale do Silício

Reuters

09 de janeiro de 2018 | 17h46

SAN FRANCISCO – Um ex-engenheiro do Google, demitido da companhia após afirmar em um memorando que há causas biológicas por trás da desigualdade de gênero na indústria de tecnologia, entrou na Justiça contra a empresa na última segunda-feira, 8. James Damore afirma que sofreu discriminação por ser um homem branco com visões políticas conservadoras.

No ano passado, Damore causou alvoroço no Vale do Silício ao escrever um comunicado interno, que depois se tornou público. O Google disse que ele havia perpetuado estereótipos de gênero e o demitiu em agosto.

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Desde então, sua demissão se transformou em uma causa popular para blogueiros de direita nos Estados Unidos. Além disso, o ex-funcionário contratou uma advogada do Partido Republicano para representá-lo na Justiça.

Damore e outro ex-engenheiro do Google, David Gudeman, protocolaram o processo como uma proposta de ação coletiva na Corte Superior do Condado de Santa Clara, na Califórnia. O processo alega discriminação e retaliação em ambiente de trabalho.

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Em nota, o Google afirma que "está na expectativa" de apresentar sua defesa ao processo de Damore na Justiça.

De acordo com a ação, a companhia falhou em proteger funcionários, especialmente homens brancos, de assédio em ambiente de trabalho com relação a seu apoio ao presidente dos EUA, Donald Trump, ou a visões políticas conservadoras.

"Damore, Gudeman e outros representados na ação coletiva foram excluídos, apequenados e punidos por suas visões políticas heterodoxas e pelo 'pecado' das circunstâncias de seus nascimentos de serem caucasianos e/ou homens", diz um trecho do processo.

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A ação também acusa o Google de manter uma "lista negra" secreta de celebridades da mídia conservadora que não têm permissão para entrar nos escritórios da companhia.

O processo inclui um pedido de liminar para proibir o Google de discriminar indivíduos com visões políticas conservadoras.

Quando Damore foi demitido, o CEO da Google, Sundar Pichai, disse que trechos de seu memorando "violam o nosso código de conduta e ultrapassam o limite ao trazer estereótipos de gênero para dentro do nosso ambiente de trabalho".

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Gudeman foi demitido em dezembro de 2016 depois de um confronto com um colega de trabalho muçulmano em um fórum interno do Google, de acordo com o processo.

Esse colega de trabalho disse no fórum que ele havia sido alvo do FBI por ser muçulmano e expressou preocupação sobre sua segurança pessoal, conforme o processo. Gudeman respondeu com ceticismo, dizendo que o colega não tinha "nenhuma prova" para amparar sua afirmação e sugerindo que o FBI poderia ter uma justificativa para investigá-lo.

Ainda segundo o processo, um funcionário da área de recursos humanos do Google disse depois a Gudeman que ele havia acusado seu colega de terrorismo com base em sua religião, e que ele seria demitido como resultado dessa atitude.

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