Enquanto aguarda Jirau, Furnas busca parceiros para PCHs

Furnas lançará em maio ofertapública com objetivo de encontrar parceiros para construirpequenas hidrelétricas (PCHs) no Estado do Rio de Janeiro, aomesmo tempo em que busca financiamento do BNDES para erguer omegaprojeto de 3 mil megawatts no rio Madeira, em Rondônia, ese prepara para disputar a usina de Jirau, na mesma região. Segundo o presidente de Furnas, Luiz Paulo Conde, aprimeira oferta pública abrangerá seis projetos que podemgerar, ao todo, 80 megawatts de energia elétrica. "Podemos ser minoritários ou não nesses projetos... oBrasil está cheio de oportunidades para pequenas hidrelétricasque juntas formam uma grande", disse Conde a jornalistas apósassinar o primeiro financiamento em 17 anos do BNDES paraFurnas. Segundo Conde, a proibição se devia ao "contingenciamentode recursos públicos". Para conseguir esse empréstimo, aestatal responsável pelo maior parque gerador do país conseguiuuma autorização especial do Conselho Monetário Nacional (CMN), que liberou financiamentos da ordem de 2,4 bilhões de reaispelo BNDES para Furnas. "É um dia histórico, não há possibilidade de se fazerprojetos no Brasil sem financiamento", avaliou o executivo queainda se recupera de uma operação, mas que vem trabalhandonormalmente na estatal. O financiamento do BNDES, no valor de 1 bilhão de reais, dototal de 1,6 bilhão de reais a serem investidos, possibilitaráa construção da usina hidrelétrica Simplício, que será asegunda maior hidrelétrica do Estado do Rio de Janeiro comcapacidade para gerar 33,7 megawatts, ou o suficiente parailuminar uma cidade de 1,5 milhão de habitantes. A unidadeentrará em operação em 2010. Furnas tem mais seis usinas em construção, estimadas em 7bilhões de reais. MADEIRA Conde informou que aguarda para o segundo semestre aliberação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico eSocial de recursos para iniciar a construção da usina de SantoAntonio, no rio Madeira, leiloado no final do ano passado. Sem revelar o montante solicitado --o projeto é estimado em9,5 bilhões de reais e o BNDES pode financiar até 75 por centodesse total-- o presidente do banco, Luciano Coutinho, presenteno evento, afirmou que o pedido de Furnas já foi enquadrado, oque na linguagem do BNDES quer dizer que haverá recursos seaprovado pela diretoria. "Ainda estamos em fase de análise e a previsão é que sejaassinado em agosto", afirmou Coutinho. Segundo Conde, as obras deverão ser iniciadas em setembro eo montante solicitado ao banco vai depender também dascondições que serão impostas pelo Ibama, quando a Licença deInstalação (LI) for aprovada. "O comprometimento do Ibama é dar a licença até o finaldeste mês (março), tem que ver as medidas compensatórias quevirão", afirmou, referindo-se às exigências que o órgãoambiental costuma fazer para projetos que causam impacto nomeio ambiente. Conde confirmou ainda que Furnas e Odebrecht vão participarjuntas do leilão para a segunda usina do rio Madeira, Jirau,previsto para 9 de maio. "A tendência é se manter o mesmo consórcio, porque as duasusinas (Santo Antônio e Jirau) foram estudadas juntas, efazendo tudo junto fica mais barato", explicou. Sobre o recente frustrado leilão da Companhia Energética deSão Paulo, do qual não pôde participar, Conde afirmou queFurnas teria interesse nos ativos, mas que o governo federalestipulou que os recursos da empresa fossem canalizados paraenergia nova. "O Serra até me ligou e eu queria entrar no leilão, mas oministro (de Minas e Energia, Edison Lobão) não deixou, ogoverno quer que a gente patrocine só energia nova, não a quejá está pronta", concluiu.

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