Entenda a incerteza sobre os níveis que a inflação pode atingir

Segundo consultores financeiros, momento é de atenção e revisão das aplicações

Ana Paula Lacerda, O Estado de S. Paulo

28 de junho de 2008 | 23h23

A aceleração da inflação e a alta da taxa básica de juros (Selic) exigem que o investidor esteja mais atento ao administrar suas aplicações. Segundo consultores financeiros, ainda não há motivo para preocupação. "Não é preciso mudar radicalmente de investimentos", avisa o consultor de investimentos Fabiano Calil. "Mas é necessário considerar a inflação dentro da cesta de investimentos, e calcular se investimentos que eram rentáveis num momento mais estável continuam com rendimento real."  Veja tambémVeja como ficam as aplicações financeirasEntenda os principais índices de inflação Com a incerteza sobre os níveis que a inflação e os juros podem atingir, as aplicações de renda fixa pós-fixada tornam-se as mais atraentes, assim como títulos públicos federais cuja remuneração seja definida por um índice de preços mais juros. "Investimentos indexados à inflação são os mais seguros no momento, como, por exemplo, as Notas do Tesouro Nacional série B (NTN-B)", diz o administrador de finanças Fábio Colombo. As NTN-B pagam cerca de 7% ao ano, mais correção pelo IPCA. As LFTs são outra opção, atreladas à variação diária da taxa de juros. "Os investimentos prefixados podem apresentar um certo risco, pois o juro predefinido pode não compensar a inflação." Os CDBs indexados ao CDI (taxa de juros do mercado interbancário) e os fundos DI também oferecem proteção para a alta dos juros, mas, se a Selic subir em ritmo mais lento que a inflação, o desempenho desses papéis ante o avanço dos preços será prejudicado. Colombo acredita que, no entanto, esse seja um momento passageiro. "Não estamos passando o mesmo que os americanos. Lá, as aplicações já estão rendendo menos do que a inflação", diz ele.  "Quem está começando deve procurar a renda fixa, preferencialmente pós-fixada", concorda o professor de finanças da FGV-SP e da PUC-SP Fábio Gallo. "Mas isso varia conforme a quantia e o tempo que o investidor quer aplicar. Se tem pouco dinheiro e tempo, talvez a poupança ainda seja opção, apesar do baixo rendimento." No longo prazo, no entanto, a poupança deixa de ser uma opção. "O rendimento de 6% ao ano mais TR não compensa mais a inflação e a pessoa deve buscar outras opções", afirma Calil. Ele acredita que o novo cenário fará com que os bancos passem a oferecer novos produtos, atrelados a outros índices. Mas quem já tem dinheiro aplicado, mesmo que em fundos prefixados, não deve se desesperar. "Basta fazer uma avaliação para verificar se não haverá perda de dinheiro. Em geral, o custo no imposto de renda para mudança de aplicação não compensa a troca", diz o coordenador dos cursos de Administração da Faculdade Módulo, Cláudio Carvajal.  O investidor que colocou seu dinheiro em fundos de ações, multimercados ou na bolsa tem de se voltar para o longo prazo. "A curto prazo, pode perder dinheiro. É difícil saber como as empresas vão se comportar com inflação, juros, crise americana, alta do petróleo e das commodities", diz Carvajal. A orientação é planejar o investimento para, ao menos 12 meses.

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