Entrada de capital especulativo na China somou US$ 35,5 bi em 2010

Em um raro relatório sobre fluxo de capital especulativo, a Safe informou que US$ 289 bilhões em recursos desse tipo entraram na China entre 2001 e 2010

Danielle Chaves, da Agência Estado,

17 de fevereiro de 2011 | 10h37

Um total de US$ 35,5 bilhões em dinheiro especulativo entrou na China no ano passado, ou 7,6% das reservas acumuladas pelo país no ano, segundo estimativas da Administração Estatal de Câmbio Externo (Safe, na sigla em inglês) da China. Em um raro relatório sobre fluxo de capital especulativo, a Safe informou que US$ 289 bilhões em recursos desse tipo entraram na China entre 2001 e 2010.

No relatório a Safe destacou que os fluxos de capital especulativo são difíceis de serem definidos precisamente, mas geralmente se referem a investimentos que buscam retorno no curto prazo. O chamado "hot money" tem dificultado os esforços do governo chinês no combate à inflação por ampliar a oferta de liquidez e colocar mais pressão sobre os preços dos ativos.

A Safe fez duas estimativas sobre o fluxo de capital especulativo para a China no ano passado. A primeira é baseada em cálculos tradicionais nos quais as reservas estrangeiras não explicadas por transações tradicionais - como comércio e investimento estrangeiro direto - são vistas como resultado de entrada de capital especulativo. Por esse método, o valor calculado foi de US$ 75,5 bilhões.

Por outro lado, a Safe afirmou que, com o novo programa de incentivo ao uso do yuan em transações externas, as empresas chinesas vêm pagando por mais importações em yuans, o que tem resultado em menos drenagem de câmbio estrangeiro da economia. O resultado disso pode ser responsável pelo aumento não explicado das reservas estrangeiras. Excluindo o efeito do novo programa do governo, a entrada de capital especulativo na China somou US$ 35,5 bilhões no ano passado, segundo a Safe.

De qualquer modo, os dois números são mais altos do que o total de 2009, que a Safe calcula em US$ 29,1 bilhões, e ambos estão acima da previsão da Safe para a média em 10 anos, de US$ 25 bilhões.

Segundo a Safe, nem todo o capital foi usado em arbitragem de curto prazo ou representou entrada ilegal de recursos. Os fundos analisados pela Safe incluíram transações com câmbio externo legais por indivíduos, importadores e exportadores. Também incluíram transações de investimento estrangeiro direto relacionadas ao setor financeiro.

A Safe disse que, apesar de as transações especulativas terem representado uma parte pequena do fluxo total de entrada de capital, a grande escala dos fundos que entraram na China é uma indicação dos desequilíbrios da economia doméstica. A instituição afirmou também que está ficando cada vez mais difícil manter controles de capital eficientes.

O relatório é o primeiro diagnóstico relativamente abrangente das autoridades chinesas sobre o fluxo de capital especulativo para o país, que é visto como uma das causas do aumento da inflação dos imóveis e dos preços ao consumidor nos últimos anos. As informações são da Dow Jones. 

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