Entressafra de milho mais apertada deve trazer preços recordes

Uma conjunção de fatores fará daatual entressafra de milho no Brasil uma das mais apertadas, eos preços devem fechar novembro em níveis recordes no principalEstado produtor, o Paraná, segundo analistas. Exportações recordes de milho registradas em 2007, quedevem fechar o ano em torno de 11 milhões de toneladas, um bomvolume de vendas externas já contratadas para o início de 2008e uma demanda interna explosiva se somam a um esperado atrasona colheita da safra de verão como fatores altistas daestressafra, deixando compradores preocupados. A safra de verão 2007/08 deve ser colhida com atraso emfunção de um plantio mais tardio, influenciado pela falta dechuva no início da semeadura, em setembro, especialmente noParaná. "O quadro está mais apertado este ano, e tem o atraso deplantio de milho. A colheita que estaria entrando entre janeiroe fevereiro vai entrar entre fevereiro e março, isso gera umpouco de incerteza no mercado", afirmou o analista daAgroconsult André Debastiani, por telefone. "A indústria está vendo isso e está comprando mais... eaquele que tem o produto segura para conseguir preçosmelhores", acresentou ele, lembrando que este ano houve tambémexportações maiores --que mais que dobraram o volume de 2006--que "tiraram boa parte do milho do mercado". Além das exportações, houve um forte crescimento anual daprodução de aves e suínos, de 9 e 6 por cento, respectivamente,segundo a Agroconsult --o Brasil destina a maior parte de suaprodução de 51 milhões de toneladas de milho para suasindústrias de carnes. O resultado dessa maior demanda interna e externa é que,desde o final da colheita da segunda safra, em setembro, ospreços no Paraná pagos ao produtor já subiram 22 por cento,segundo o Deral (Departamento de Economia Rural do Paraná). "A média de preços está em 23 reais (saca de 60 kg), mastem negócios a 25, não está muito longe dos 30 que estãofalando para o pico da entressafra", disse Margorete Demarchi,analista do Deral, referindo-se ao valor registrado nasexta-feira. O recorde do preço médio mensal foi registrado pelo Deralem novembro de 2002 (22,28 reais a saca). "Possivelmente, (o preço médio de novembro de 2007) vaificar em torno disso e talvez superar", disse. TRANSIÇÃO ÁRDUA "Esse volume recorde de exportação veio para ficar, é umnovo mercado, o milho ganhou status de commodity, a exportaçãoestruturou o mercado", disse o analista da Agência RuralFernando Muraro, para quem a indústria do Brasil atravessa uma"transição árdua". "Aquele que deixou para comprar na última hora encontradificuldade, quem tem milho não está vendendo", afirmou Muraro,descartando que o atraso da primeira safra venha a prejudicar ao plantio da segunda. "Na minha opinião deve ser recorde (oplantio da safrinha)". Muraro disse ainda considerar improvável importações demilho para compensar um eventual déficit no período daentressafra. "Vai importar de quem?", disse ele, observando quea oferta global está apertada e que as importações fora doMercosul pagam taxas elevadas. Segundo ele, é mais provável que as indústrias utilizeminsumos substitutos, como sorgo e trigo de baixa qualidade. Há ainda barreiras no Brasil à importação de milhotransgênico, um produto que predonina na Argentina, que seriauma eventual origem. (Edição de Marcelo Teixeira)

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.