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ENTREVISTA-Agricultor investirá mais com prorrogação de dívida

A prorrogação do pagamento da dívidaagrícola com o sistema financeiro que venceria este ano,avaliada entre 30 bilhões e 40 bilhões de reais, permitirá aoprodutor brasileiro ampliar os investimentos na safra 2007/08,disse o presidente-executivo da Organização das Cooperativas doParaná (Ocepar). O acordo entre produtores e o governo para prorrogar asparcelas das dívidas de safras anteriores, anunciado na semanapassada, deve ser aprovado na reunião do Conselho MonetárioNacional (CMN) na semana que vem, segundo o Ministério daAgricultura. "A renegociação representa um fôlego importante. Acho quevai permitir a melhoria da tecnologia... O produtor vaiinvestir um pouco mais. Evidentemente, isso é importante paramanter o nível de produtividade", disse à Reuters João PauloKoslovski, em entrevista por telefone. A dívida total do setor agrícola com os agentes financeirosgira em torno de 131 bilhões de reais --mas apenas uma partedesse montante (estimado em até 40 bilhões de reais) venceriaeste ano, segundo avaliação dos agricultores. Para efeito de comparação, o PIB do setor primário daagropecuária (para dentro da porteira) somou 149,8 bilhões dereais em 2006, segundo dados da CNA (Confederação daAgricultura e Pecuária do Brasil). O endividamente aumentou significativamente após quebras desafras em 2004 e 2005, que se somaram ao problema cambial. Ofortalecimento do real frente ao dólar nos últimos anos reduziuos ganhos em reais do produtor brasileiro e dificultou ospagamentos. Segundo o presidente da Ocepar, que representa ascooperativas do Estado que é o maior produtor de grãos doBrasil, com a prorrogação dos vencimentos, o agricultor poderáinvestir não apenas em insumos, como fertilizantes edefensivos, mas também em mão-de-obra mais qualificada. Koslovski observou ainda que, deixando de ficarinadimplente, o agricultor poderá ter acesso aos recursos parao financiamento da safra que começa a ser plantada em outubro. O representante da Ocepar disse que o setor produtivonacional, para poder realizar uma boa safra em 07/08, tem quetorcer também para que os preços dos grãos no mercadointernacional continuem elevados. "O problema é que se tivermosqueda, certamente vamos trabalhar no prejuízo, porque avalorização do real frente ao dólar é muito alta." Os futuros na bolsa de Chicago, referência de preços nomercado internacional, têm variado bastante, a cada novaprevisão climática, em um período importante para a definiçãoda produtividade das safras de soja e milho dos EUA. Nesta segunda-feira, por exemplo, após prognósticos de umtempo mais favorável nos EUA, a soja e o milho tiveram limitesde baixa. Esse nervosismo em Chicago ocorre em um cenário deforte redução da área plantada de soja, depois que osprodutores dos EUA plantaram mais milho para atender à maiordemanda para a produção de etanol. REIVINDICAÇÕES NÃO ATENDIDAS O presidente da Ocepar disse ainda que, nesse cenário, adefinição no Plano Safra 2007/08 de juros controlados para aagricultura de 6,75 por cento, ante 8,75 por cento ao ano nasúltimas safra, ficou abaixo da expectativa do setor. "Achamos que os juros ficaram altos, pleiteávamos 4,5 porcento", disse ele, argumentando que as taxas Selic e TJLPcaíram bem mais no acumulado dos últimos anos. Com relação ao acordo para a renegociação da dívida, osentimento de insatisfação é o mesmo. "Diria que foi importantea medida, mas ela não foi na dose que desejávamos", afirmouKoslovski, argumentando o setor defende um sistema derenegociação de dívidas definitivo e baseado na renda doprodutor, para que os agricultores não necessitem voltar apedir prorrogação de dívidas no próximo ano.

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