ENTREVISTA-Basf vê expansão de 5% a 6% na América do Sul em 2012

A alemã Basf acredita em crescimento de 5 a 6 por cento no mercado de agroquímicos e químicos na América do Sul em 2012, a despeito dos efeitos da crise financeira na Europa.

ROBERTA VILAS BOAS, Reuters

16 de agosto de 2012 | 16h49

"O mercado na área de produtos para agricultura está bom, continua crescendo; no restante houve uma certa desaceleração mas ainda não uma crise", disse em entrevista à Reuters nesta quinta-feira o presidente da empresa para América do Sul, Alfred Hackenberger.

Maior fabricante de produtos químicos do mundo em vendas, a Basf tem meta de atingir vendas de 8 bilhões de euros na América do Sul em 2020. O valor foi elevado em novembro, de 6 bilhões de euros, quando a companhia apresentou seu plano de negócios para o período, prevendo uma expansão em mercados emergentes.

As vendas da empresa na região somaram 5,968 bilhões de euros em 2011, sendo 2,6 bilhões de euros no Brasil, país que abriga a sede regional da Basf e que representa 70 por cento das vendas sulamericanas da empresa.

INVESTIMENTOS NO BRASIL

No Brasil, a empresa prevê manter os investimentos nos anos de 2012, 2013 e 2014 no mesmo nível dos 100 milhões de reais empenhados no país no ano passado.

Segundo Hackenberger, o valor não inclui o pólo produtor de acrílicos no Brasil, que está sendo construído em Camaçari (BA), com previsão de investimentos de 1,2 bilhão de reais, e que deve entrar em operação no segundo semestre de 2014.

O projeto, anunciado em agosto passado, tem a parceria da Braskem, que fornecerá propeno e soda para o projeto em escala mundial de ácido acrílico, acrilato de butila e polímeros superabsorventes (SAP) no Brasil.

Kackenberger explicou também que os 100 milhões de reais por ano serão destinados à melhora da logística de transporte de produtos químicos no Brasil, e ampliações das atuais fábricas.

"Os investimentos vão... na ampliação de capacidade existente e novos produtos", disse.

O executivo não descartou aquisições, mas evitou dar detalhes. Em maio, a Basf adquiriu o negócio de polímeros de poliamida do Grupo Mazzaferro no país, sem informar o valor.

INFRAESTRUTURA E LOGÍSTICA

O executivo afirmou que infraestrutura é um dos grandes desafios no Brasil, e ressaltou que tem "fortes esperanças" de que o plano anunciado na véspera melhore a situação.

"A gente precisa de um sistema de transporte seguro e o ideal são ferrovias e rios. Na Europa, a maior parte dos produtos químicos é transportada via ferrovia e hidrovia."

Na quarta-feira, o governo brasileiro anunciou o Programa Nacional de Logística: Rodovias e Ferrovias, no valor de 133 bilhões de reais, que prevê a concessão de 10 mil quilômetros de ferrovias e 7,5 mil quilômetros de rodovias para a iniciativa privada.

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