ENTREVISTA-Brasil pode taxar farinha de trigo argentina

O Brasil poderá taxar as importaçõesde farinha de trigo da Argentina, se as crescentes compras doproduto no país vizinho atingirem até 15 por cento do consumointerno brasileiro, afirmou o ministro da Agricultura. O objetivo da medida seria proteger a indústria nacional,que afirma estar sendo prejudicada pela entrada de farinha nopaís a preços mais baixos do que as importações damatéria-prima, devido ao regime tributário argentino. A Argentina tem um imposto de exportação de trigo de 28 porcento, enquanto a taxa de exportação de farinha é de 10 porcento. "Se chegar a 10 ou 15 por cento (do consumo), vamos ter quepossivelmente tributar a entrada dessa farinha", declarou oministro Reinhold Stephanes em entrevista à Reuters nestasegunda-feira. Segundo ele, atualmente o Brasil importa um volume defarinha de trigo da Argentina equivalente a 6 a 7 por cento deseu consumo. O Brasil consome aproximadamente 7 milhões de toneladas defarinha de trigo por ano, segundo a Abitrigo, associação querepresenta a indústria. Em 2007, as importações de farinha argentina, segundo dadosda Abitrigo, atingiram cerca de 600 mil toneladas, contra 300mil toneladas em 2006. As exportações de farinha do país vizinho, que tem tentadopriorizar as vendas de produtos de maior valor agregado, estãocrescendo ao mesmo tempo em que a Argentina adota uma políticade restrição às exportações de trigo. Em função da grande procura pelo trigo argentino, o governosuspendeu a emissão de registros de exportação em dezembro, como objetivo de garantir a oferta interna do cereal. A indústria brasileira, principal compradora do grão naArgentina, também tem se queixado dessas restrições, uma vezque conseguiu adquirir apenas 3 milhões das 7 milhões detoneladas liberadas para exportação pelo governo argentino. Se o governo argentino não liberar mais registros, osmoinhos do Brasil terão de buscar o trigo provavelmente nospaíses do hemisfério norte, onde o produto é mais caro. Alémdisso, as empresas nacionais são obrigadas a pagar TEC (TarifaExterna Comum do Mercosul) de 10 por cento em compras fora dobloco econômico sul-americano. Stephanes acredita que a Argentina voltará a abrir osregistros. Questionado se Brasil pode mexer, ou reduzir a TEC detrigo, se a Argentina não liberar a exportação nas próximassemanas, o ministro falou: "Com certeza vai (mexer na TEC)". Mas ele acrescentou que "espera (que a exportação) senormalize", sem a necessidade de o governo brasileiro mexer naTEC, o que poderia afetar o tradicional fornecedor de trigo. NORMAS PARA CARNES O ministro disse ainda que o Brasil irá cumprir totalmenteas normas mais duras estabelecidas pela União Européia para queo bloco importe carne bovina brasileira. A UE anunciou no mês passado que a carne bovina do Brasilpoderá ser embarcada para a União Européia apenas de uma listaaprovada de propriedades que atendam às necessidades do bloco. "A posição que eu adotei como ministro é atender asdemandas dos europeus, corrigindo todas as coisas que estavamerradas nos últimos anos", afirmou Stephanes. O Brasil é o maior exportador mundial de carne bovina, comexportações somando 4,2 bilhões de dólares em 2007. As exigências da UE foram feitas diante de um forte lobbyde produtores de carne europeus, principalmente da Irlanda,afetados pelo forte crescimento das vendas do Brasil nosúltimos anos. Especialistas da UE, que estiveram no Brasil em novembro,encontraram o que chamaram de "sérias e repetidas deficiênciasno sistema de sanidade e rastreabilidade animal".

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