ENTREVISTA-Copel vê alta em dividendos, mas sem imediatismo

A Copel busca expandir a atuação no setor elétrico e quer aumentar a proporção de pagamento de dividendos sobre o lucro, mas a empresa será cautelosa na decisão sobre o crescimento dos proventos aos acionistas no curto prazo, afirmou o presidente da companhia, Lindolfo Zimmer.

ANNA FLÁVIA ROCHAS, Reuters

23 de julho de 2012 | 15h34

"Eu sempre digo (aos investidores): se vocês têm expectativa de resultado a curto prazo, eu recomendaria um outro papel... A Copel é de longo prazo, mas também não tão longo assim... de 3, 4, 5 ou 6 anos", disse Zimmer à Reuters, acrescentando que a intenção da companhia é de elevar os dividendos, à medida em que o crescimento da empresa vai sendo estabelecido. Atualmente, a Copel distribui 35 por cento do lucro em dividendos.

A empresa, que já foi parceira da chinesa State Grid ao arrematar o sistema de transmissão que interligará as usinas do rio Teles Pires, pretende participar do próximo leilão de energia A-5, com entrega para 2017.

"Temos interesse principalmente nas estruturantes hidráulicas. Gostaríamos, pelo menos, das que estão liberadas", disse Zimmer sobre hidrelétricas com licenciamento ambiental prévio já concedido.

As hidrelétricas Cachoeira Caldeirão (219 MW), no rio Araguari, e Ribeiro Gonçalves (113 MW), no rio Parnaíba, já têm a participação garantida no leilão A-5 de 25 de outubro, pois possuem licença ambiental prévia. A hidrelétrica Sinop (400 MW), no rio Teles Pires, ainda não conseguiu o licenciamento, mas a expectativa é de que o tenha até a data do certame.

Questionado se faria parceria com a chinesa State Grid para disputar essas hidrelétricas, Zimmer não quis comentar pois tem um acordo de confidencialidade que o impede de falar de alianças.

"Fomos muito felizes com a participação da State Grid (no projeto de transmissão de Teles Pires), estamos muito satisfeitos pela forma tão tradicional como os trabalhos estão acontecendo... Não há nenhuma indicação pela qual não possamos considerá-los em outros projetos", disse.

A Copel também espera participar com usinas eólicas no Nordeste do leilão de energia nova A-3, esperado para este ano. "Se acontecer o leilão, estaremos lá...Com projetos na região de vento de melhor qualidade", disse Zimmer que não quis dar detalhes, mas mencionou o Estado da Bahia.

No segmento de transmissão de energia, Zimmer disse que a Copel está olhando os projetos chamados "pré-Belo Monte" "com carinho" e que também avaliará a interligação principal da usina, os linhas de extra-alta tensão que conectarão a hidrelétrica do rio Xingu ao sistema elétrico nacional.

Os primeiros sistemas de transmissão que ajudarão a escoar a energia da usina de Belo Monte começam a ser licitados já no próximo certame, que deve acontecer em setembro. Já o sistema central de interligação da usina, cuja estrutura ainda não está totalmente definida, deve ser licitado em 2013.

"Estamos autorizados pelo nosso acionista majoritário (governo do Estado do Paraná) a atuar fora do Paraná. Temos um grau de liberdade muito bom. A única condição que nos foi colocada é que devemos crescer de forma saudável", disse.

DISTRIBUIÇÃO

A Copel continua interessada em alguns ativos do Grupo Rede Energia, caso a empresa se manifeste oficialmente sobre a venda separada de suas distribuidoras.

"Vale Paranapanema (SP), Companhia Força e Luz do Oeste (PR), Enersul (MS), esses ativos são importantes e para nós significam uma escala maior. Não vamos deixar de olhar com muito carinho", reafirmou o executivo, acrescentando que assumir a CFLO, pequena distribuidora do Grupo Rede que atende ao município de Guarapuava, seria "mamão com açúcar".

"Não teríamos que fazer quase nada e teríamos redução de custo", completou.

A Copel tem um investimento total estimado de cerca de 2,2 bilhões de reais em 2012, dos quais metade será em distribuição de energia. Zimmer comentou que a redução média de 0,65 por cento nas tarifas de energia da Copel Distribuição, como resultado do terceiro ciclo de revisão tarifária, não afetam a estratégia de investimentos da empresa.

A Copel Distribuição está com uma pequena sobrecontratação no curto prazo, segundo Zimmer, que acredita que se de fato houver um leilão de energia nova A-3 neste ano --que contrata energia que começa a ser entregue em 3 anos-- "será um leilão bem modesto", sob o ponto de vista da necessidade de contratação de energia das distribuidoras.

O leilão A-3 já foi adiado diversas vezes neste ano pelo fato de grande parte das distribuidoras de energia estarem sobrecontratadas.

CONCESSÕES

Outra decisão que deve ter pouco impacto sobre a receita da empresa, segundo Zimmer, é a renovação das concessões de energia que vencem a partir de 2015.

Cerca de 5 por cento da capacidade de geração de energia da paranaense vence em 2015, segundo Zimmer. "A rigor, não seria motivo de preocupação maior, mas o que acontecer agora vai refletir nas outras renovações", disse.

A Copel se manifestou formalmente à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) sobre o interesse em manter as concessões das hidrelétricas Campo Mourão, Governador Parigot Souza e Chopim --que somam cerca de 300 MW de potência instalada-- além de mais de 50 por cento na transmissão e os ativos de distribuição de energia que também vencerão.

A expectativa de Zimmer é de que não haja grandes surpresas nas regras para a renovação de distribuição e transmissão, devido à regulação à qual já são submetidos esses segmentos.

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