ENTREVISTA-Equipamentos podem limitar novo plano da Petrobras

A capacidade de conseguir plataformase outros equipamentos necessários para o desenvolvimento doscampos do pré-sal vai nortear o novo plano de negócio daPetrobras para o período 2009-2013, que deverá ser anunciado emsetembro, disse o diretor de Abastecimento da estatal, PauloRoberto Costa. "A capacidade financeira não deve ser um problema, mas acapacidade física é uma dificuldade tanto a nível nacional comointernacional", avaliou Costa, em entrevista à Reuters, antesdo lançamento de uma série de investimentos da estatal noEstado do Ceará, com a presença do presidente Luiz Inácio Lulada Silva. Assunto tão proibido dentro da estatal como declarações emtorno da criação de uma empresa para administrar o petróleo dopré-sal, o plano estratégico da empresa deve "crescerexpressivamente" em relação aos 112,4 bilhões de dólaresprevistos entre 2008-2012, por incluir os novos e volumososprojetos da bacia de Santos. "A revisão do nosso plano estratégico está em andamento eestamos pensando em concluir agora em setembro, óbvio que opré-sal é um investimento gigantesco, mas as outras áreas nãovão ficar sem ter os investimentos necessários", afirmou oexecutivo. Segundo Costa, seria impossível desenvolver o pré-sal, ondepodem estar estocados bilhões de barris de petróleo numaextensão do Espírito Santo à Santa Catarina, se não foremdesenvolvidos outros projetos da companhia, como o refino,principalmente, que irá agregar valor às grandes descobertas nacosta. "Não adianta aumentar a produção de petróleo e não sercapaz de refiná-lo", observou o diretor, lembrando que o Brasilquer se tornar exportador de derivados e não do petróleo bruto,para conseguir mais receita com a venda externa. Nessa linha de pensamento, Costa admite que as cincorefinarias planejadas pela empresa para serem inauguradas até2016 talvez não sejam suficientes para processar todo ocombustível que será extraído das novas áreas. Apenas no primeiro campo, o de Tupi, as reservas apontampara um volume entre 5 e 8 bilhões de barris de óleoequivalente (petróleo e gás natural), metade das reservasatuais da Petrobras. "Com a entrada dos campos do pré-sal, basicamente a partirda segunda metade da próxima década, vai gerar novasnecessidades, e a Petrobras vai estar avaliando isso, dentro doconceito de refinar no Brasil para agregar valor, geraremprego, receita e renda no Brasil", disse Costa. Ele informou que apesar das refinarias de Pernambuco, RioGrande do Norte e Rio de Janeiro, assim como uma refinariaPremium, terem sido previstas antes da descoberta do pré-sal,quando a empresa previa uma produção de 3,5 milhões de barrisde petróleo diários em 2015, as unidades agora terão que seradaptadas para o óleo leve recém-descoberto. "Agora estamos adaptando o projeto dessas refinarias,porque estamos vendo que não tem só petróleo pesado, vai terleve, vamos processar um mix desses óleos," afirmou. Com a entrada das novas refinarias em operação,considerando também as do Maranhão e do Ceará, a capacidade derefino da Petrobras saltará dos atuais 1,9 milhão de barrisdiários de petróleo para 3,2 milhões de barris. PRODUÇÃo DE GÁS Além do refino, o diretor afirmou que a área de gás eenergia também não pode deixar de receber recursos relevantes,"apesar da exploração e produção ficar com a maior parte deles,o que tem que ser assim mesmo, para garantir a nossa receita",já que também há previsão de existência de um enorme volume degás natural no pré-sal. "Energia também tem obras, como os terminas de GNL e outrosprojetos de gasodutos, porque o pré-sal também tem gás e nãopode ser produzido e queimado, você tem que ter mercado, parater mercado tem que ter duto", lembrou. A diretora da área de Gás e Energia da Petrobras, Maria dasGraças Foster, disse à Reuters que, apesar de ainda não estardefinido, a tendência é transformar o gás produzido no pré-salem GNL, para atender os novos terminais do produto no Ceará eno Rio de Janeiro, e também para exportação. "Não dá para aumentar a produção e não pensar em aproveitaro gás nessa produção... as coisas vão ser interligadas,"explicou. A produção comercial do pré-sal será iniciada no final de2010 no campo de Tupi, onde estão previstos 100 mil barrisdiários em um projeto piloto que depois será repetido em outroscampos operados pela companhia na área. Além de Tupi, já foram perfurados pela companhia Júpiter,Carioca, Guará, Iara, Caramba e Bem-te-vi. A previsão é de que a comercialidade dos poços sejadeclarada entre 2009 e 2010, segundo Costa.

DENISE LUNA, REUTERS

20 de agosto de 2008 | 15h31

Tudo o que sabemos sobre:
ENERGIAPETROBRASEQUIPAMENTOS

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.