ENTREVISTA-Gol vê caixa melhor no 2o trimestre

A Gol está com uma situação de caixa "substancialmente" melhor no segundo trimestre em relação aos três primeiros meses do ano, disse o presidente da companhia aérea, Constantino de Oliveira Junior, à Reuters, nesta quarta-feira.

ALBERTO ALERIGI JR., REUTERS

24 de junho de 2009 | 15h47

Segundo ele, a empresa não pretende fazer novas emissões de ações ou ampliar dívida, após oferta privada de ações em março no valor de 203 milhões de reais e de levantar 400 milhões de reais através de debêntures em maio.

"A situação de baixa liquidez está superada. Estamos reconstruindo o caixa e reconstruindo o balanço, através de gestão inteligente de receitas, ajuste de nossa malha para atuarmos com voos de maior viabilidade, para termos níveis de rentabilidade que nos permitam manter e até melhorar nossa posição de caixa", disse Constantino Junior, por telefone.

A meta da companhia é assegurar o quanto antes a meta de encerrar o ano com 800 milhões de reais em caixa, depois de terminar o primeiro trimestre com 394,6 milhões de reais em disponibilidades, uma redução de 33 por cento na comparação com o quarto trimestre de 2008. A dívida de curto prazo em moeda estrangeira estava em 676,8 milhões de reais no final de março.

A estratégia de melhoria de caixa da companhia envolve "destravar" valores do grupo, disse Constantino Junior, com desenvolvimento de negócios paralelos ao transporte de passageiros, como incrementar programa de milhagem, venda de produtos a bordo e cargas expressas.

Plano semelhante está sendo adotado pela TAM, que recentemente ampliou seu programa de milhagem, agora com uma unidade na empresa dedicada a isso.

Conforme Constantino Junior, a Gol também promoveu recentemente um primeiro ajuste na malha aérea da empresa. Como resultado, a companhia reduziu voos para Santiago e Lima.

"Houve uma queda na demanda e reduzimos os voos (ao exterior) para posterior análise. Estamos priorizando o mercado doméstico agora", disse o presidente da Gol.

No mercado interno, a Gol estima que o tráfego de passageiros registrará alta de 2 a 4 por cento este ano. Nos cinco primeiros cinco meses de 2009, houve expansão de cerca de 2 por cento.

H1N1

Na visão do presidente da Gol, a recomendação do Ministério da Saúde, na terça-feira, para que os brasileiros evitem viagens para Argentina e Chile, devido ao aumento no número de casos da gripe H1N1 na região, "provavelmente impactará" a demanda de passagens.

Argentina e Chile estão entre os principais destinos da Gol no exterior. A companhia tem 14 voos diários para a Argentina e 15 semanais para o Chile.

"Não é uma notícia boa, provavelmente deve impactar a demanda", afirmou o executivo, que está em Nova York para o "Gol Day", encontro da companhia com investidores.

O governo brasileiro fez a recomendação depois de ter divulgado o surgimento de 94 novos casos da doença, elevando o total de infectados no Brasil para 334.

O aviso foi feito diante da aproximação das férias escolares e pelo fato de que Argentina e Chile são os países da América do Sul com mais casos da nova gripe.

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