ENTREVISTA-JBS quer dobrar fatia no mercado de carne em 5 anos

O JBS-Friboi, maior exportadormundial de carne bovina, com unidades nos quatro principaispaíses produtores, tem meta de dobrar sua participação nomercado internacional em um período de cinco anos, no embalo dacrescente demanda que acompanha o desempenho das economias,fator que pode derrubar barreiras comerciais. "Acreditamos que nos próximos cinco anos temos condições dedobrar a participação (no mercado internacional)", afirmou opresidente do JBS-Friboi, Joesley Mendonça Batista, ementrevista à Reuters na tarde desta quarta-feira, na sede daempresa em São Paulo. O grupo detém ao menos 8 por cento do comércio global decarne bovina, apenas com as vendas de unidades no Brasil e naArgentina. A participação é maior se incluídas as exportaçõesdas fábricas da Swift nos Estados Unidos e Austrália, paísesque respondem por mais da metade da capacidade de abate de 48mil cabeças ao dia da empresa --o JBS não informou quantorepresentam os negócios fora do Mercosul. O JBS adquiriu em maio a norte-americana Swift & Co. emnegócio de 1,4 bilhão de dólares que o transformou no maiorprocessador mundial de carne bovina. Batista, de 34 anos, filho mais novo de José BatistaSobrinho, fundador do grupo que tem vendas externas superioresa 3 bilhões de dólares anuais a partir de 41 unidades em quatropaíses, avaliou que dobrar a participação será possível porqueacredita que a cada dia o mercado mundial terá menosintervenções governamentais e menos subsídios à produção. "Não acreditamos que o levante de barreiras seja umaquestão comercial. Acreditamos que é uma questão denecessidade. O dia que os países necessitarem do produto eleslevantam as barreiras... Não é a Rodada de Doha que vai mudarnada", acrescentou ele. Batista observou que a tendência é de que países maiscompetitivos como o Brasil "se tornem mais produtores" e ganhemmercados, com a redução do protecionismo e barreiras sanitáriasde países como a China, que precisarão importar mais paraalimentar a população. "Acreditamos que a China no ano que vem vai precisarcomprar carne, a Europa a cada dia precisa mais, a Rússiatambém", disse o executivo, salientando ter "confiança que em12 meses a China vai abrir (o seu mercado), pela necessidade epelo amadurecimento das relações com o Brasil". Batista ressalvou que o Brasil, embora seja um fornecedorprivilegiado de carne, não pode ignorar reclamações de algunsimportadores, como a União Européia. Mas destacou que o país,segundo conversas que ele tem tido com o governo, estáacertando questões sanitárias, que em alguns momentos nopassado prejudicaram as exportações, com os casos de febreaftosa em Mato Grosso do Sul em 2005. No caso do JBS-Friboi, não houve prejuízo com embargos,segundo a empresa, justamente pela possibilidade do grupoexportar a partir de unidades de Estados ou países nãoembargados. O grupo tem 23 processadoras no Brasil, outras seisna Argentina, quatro na Austrália e quatro nos Estados Unidos--além de quatro confinamentos australianos e de trêsabatedouros de suínos norte-americanos. "Atribuo como muito baixa a chance de termos um embargo porparte da Europa, porque estamos (o Brasil) fazendo o dever decasa", comentou ele, sobre recentes declarações de autoridadeseuropéias pedindo veto à carne brasileira. FATURAMENTO QUINTUPLICADO Com a aquisição da Swift concluída em julho, o faturamentodo grupo deve dar um salto no balanço do terceiro trimestre, aser divulgado em novembro, o primeiro a contar com os númerosda norte-americana. Levando em conta dados "pro forma", as vendas anuaiscresceriam de cerca de 2 bilhões de dólares (do JBS-Friboi)para 11-12 bilhões de dólares, com a incorporação dos ativos daSwift. A empresa, que utiliza a maior parte de sua capacidadeinstalada para bovinos e praticamente 100 por cento dopotencial de abate de suínos, de 46,8 mil toneladas(exclusivamente nos EUA), não acredita que uma eventual alta depreços possa impedir o crescimento do mercado mundial. "Não impede porque a elasticidade preço/consumo é muitoalta... Se estiver caro, cai o consumo, e o preço vem para ovalor ideal para o produto ser consumido", afirmou Batista,ressaltando que o grupo tem a vantagem de ter o "melhor mix". Batista, que vê pouco espaço mas não descarta quecompetidores internacionais venham a se estabelecer no país como maior rebanho de bovinos do mundo, avaliou ainda comopossível uma eventual nova emissão de ações se a empresaconsiderar que isso é necessário para garantir a expansão. "Temos ímpeto de crescimento. Crescemos a 30 por cento aoano há mais de 18 anos, e não tenho dúvida que vamos conseguircrescer mesmo em outros patamares (após aquisição da Swift)."

ROBERTO SAMORA, REUTERS

10 de outubro de 2007 | 20h02

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