ENTREVISTA-Randon vê alta de cerca de 10% em semireboques em 2013

A fabricante de implementos rodoviários Randon está trabalhando com um cenário de crescimento de cerca de 10 por cento no mercado brasileiro de semireboques em 2013, depois de um 2012 que deve ser marcado por recuo de dois dígitos nas vendas.

ALBERTO ALERIGI JR., Reuters

27 de setembro de 2012 | 17h55

A companhia, maior fabricante de semireboques da América Latina, deve fechar os números de seu orçamento em novembro, mas já trabalha com a perspectiva de que o mercado brasileiro vai amargar uma queda de 13 a 14 por cento nas vendas em 2012, para entre 50 mil e 51 mil unidades, disse o diretor comercial da Randon para o mercado de implementos, Vanei Geremia, em entrevista à Reuters.

A expectativa preliminar do executivo para 2013 é motivada por aposta na retomada do crescimento da economia, impulsionada por previsões positivas para a safra agrícola do país, projetos de construção para a Copa do Mundo de 2014 e incentivos do governo para investimentos em bens de capital.

Fora isso, a confusão criada no mercado de caminhões pela mudança no regime de emissões de poluentes já deverá ter sido totalmente dissipada, em meio a uma maior oferta de diesel S-50 para motores menos poluidores, que já está "disponível em todas as regiões", afirmou Geremia.

"Nunca imaginamos ter juros de 2,5 por cento ao ano para bem de capital", disse o executivo ,em referência à taxa do programa de financiamento para investimentos PSI-Finame, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que foi cortada de 5,5 por cento no fim de agosto.

"Isso foi um alívio bastante grande. Vimos clientes nossos que não tinham previsão de aquisição nos buscarem recentemente, desde caminhoneiro autônomo até transportadoras."

Segundo ele, as encomendas de semireboques recebidas até agora pela Randon em setembro "estão bem mais positivas" que em meses anteriores.

"A gente vê que tudo isso leva a um adiantamento de compras agora, porém já existe uma tendência de que isso se mantenha pelo crescimento do Brasil e pelas taxas (de juros) diferenciadas que estão sendo oferecidas."

No primeiro semestre, a Randon amargou um tombo de 22 por cento nas vendas de veículos rebocados, para 9.526 unidades, diante de uma queda de 24 por cento nas vendas de caminhões pesados e de 15 por cento nos licenciamentos de semipesados.

O desempenho do mercado levou a empresa a rever sua produção numa estratégia de gestão de mão-de-obra que deixou a "porta de saída aberta e a de entrada fechada", como definiu Geremia. Porém, a mudança do cenário desde as medidas do governo para incentivar o crescimento da economia está inspirando a empresa a avaliar uma redução no período de férias coletivas do fim de 2012.

"Estamos em vias de subir nossa produção com o contingente que já temos hoje (...) Estimávamos um tamanho maior de férias coletivas, mas agora estamos pensando em diminuir o período para 10 dias para recuperar o tempo perdido", disse o executivo.

Ele informou que a Randon trabalha atualmente com uma taxa de ocupação de capacidade de 73 a 75 por cento, e que o índice deve encerrar o ano próximo dos 80 por cento.

ARGENTINA E VAGÕES

A companhia também se mostra confiante sobre o desempenho da Argentina, onde mantém uma fábrica na província de Santa Fé. A Randon vê um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) argentino entre 3 e 4 por cento em 2013, pela boa perspectiva para a safra de grãos do país num momento de quebra na produção de milho e soja dos Estados Unidos.

Na avaliação de Geremia, o mercado de semireboques argentino deve avançar em 2013, mas num ritmo menor que o brasileiro. "Não arriscaria um percentual ainda, mas a gente vê que o crescimento da safra de grãos lá vai ser muito forte e isso deverá impulsionar uma boa parte da economia argentina."

Ele citou ainda perspectivas positivas para outras economias sul-americanas, como Chile, Colômbia, Uruguai e Paraguai.

Em vagões ferroviários, outra área de atuação da Randon, a expectativa preliminar da Randon, segundo Geremia, é de um crescimento do mercado entre 8 e 10 por cento no ano que vem, também impulsionado pelos juros menores do Finame. A empresa encerrou o primeiro semestre com um tombo de 51 por cento nas vendas de vagões, para 358 unidades, em relação ao mesmo período do ano passado.

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