ENTREVISTA-Siderurgia ainda enfrenta estoques altos, diz presidente do Inda

A cadeia de distribuição de aços planos no país ainda tem quase 1 milhão de toneladas em estoque, apesar dos amplos cortes na produção promovidos pelas usinas desde o final do ano passado, afirmou o presidente do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda), Carlos Jorge Loureiro, nesta quinta-feira.

ALBERTO ALERIGI JR., REUTERS

28 de maio de 2009 | 18h38

"Nos próximos três a quatro meses ainda é preciso diminuir pelo menos em 20 por cento a compra em relação à venda (...) Os estoques ainda estão altos, os distribuidores demoraram bastante para suspender as compras", afirmou Loureiro em entrevista à Reuters.

Passados quase cinco meses do ano, o cenário para os distribuidores de aços planos, usados em produtos que vão de geladeiras e automóveis a navios, ainda é de pouca visibilidade sobre a recuperação dos negócios e de pressão de baixa sobre preços. Ainda assim, Loureiro arrisca que no final de agosto haverá uma certa acomodação no nível de estoques.

Enquanto a média do setor é ter estoques equivalentes a 2,6 meses de vendas, atualmente o nível está em 3,8 meses. Apesar de ainda estar acima do patamar histórico, o indicador representa expressiva melhora sobre dezembro, quando os estoques representavam mais de 6 meses de vendas.

A compra de aço pelos distribuidores representados pelo Inda está em torno de 250 mil a 300 mil toneladas por mês, disse Loureiro. Segundo ele, considerando as condições atuais do mercado, o volume ainda precisa ainda ser diminuído em 50 mil toneladas mensais.

"Não há razão nenhuma para deixar o estoque subir, porque não há perspectiva no curto prazo de falta de produtos. A melhor coisa a se fazer é diminuir estoque."

A comercialização de aços planos no primeiro quadrimestre do ano somou 980 mil toneladas, uma queda de 23,6 por cento em relação ao mesmo período de 2008, quando o setor vendeu quase 1,3 milhão de toneladas, de acordo com dados do Inda.

Enquanto isso, a produção das siderúrgicas desabou 43,3 por cento, para 4,938 milhões de toneladas, segundo informações do Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS).

"O que está pior mesmo é máquinas e equipamentos, porque estavam muito estocados e pararam de comprar", disse Loureiro, acrescentando que o setor de autopeças para veículos melhorou depois que o governo reduziu IPI sobre a venda de veículos.

AÇO IMPORTADO PRESSIONA

Além do estoque alto e acumulado a preços maiores que os atuais, as distribuidoras de aço enfrentam pressão de produtos importados vendidos diretamente por siderúrgicas estrangeiras que correm para desovar seus estoques.

Loureiro defendeu a volta de imposto de importação sobre laminados a quente e a frio que tiveram alíquota zerada em 2005, quando a tarifa era de cerca de 12 por cento.

"O que se pede é uma volta à situação normal, que era a alíquota de importação. Imposto zero não existe nem nos Estados Unidos, que importam à vontade. Lá o imposto é seis por cento", afirmou.

O Inda estima que as vendas de aços planos em 2009 através dos distribuidores que representa recuem de 15 por cento a 20 por cento sobre 2008. "Se tudo correr bem, podemos voltar aos níveis de 2008 somente em 2010", afirmou Loureiro.

No ano passado, os distribuidores venderam 3,7 milhões de toneladas de aços planos, aumento de 12,2 por cento.

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