EY paga US$ 100 milhões por burlar exames de ética

EY paga US$ 100 milhões por burlar exames de ética

Foi a maior multa paga por uma empresa de auditoria em investigação da SEC, xerife do mercado de capitais dos EUA 

Matthew Goldstein - THE NEW YORK TIMES, O Estado de S.Paulo

03 de julho de 2022 | 05h00

A Ernst & Young, uma das maiores empresas de auditoria do mundo, concordou em pagar uma multa de US$ 100 milhões porque centenas de seus funcionários burlaram o resultado de testes de ética que eram obrigados a fazer para requerer ou manter sua licença profissional. Segundo o governo americano, a empresa fez vista grossa à prática.

A multa, anunciada na última terçafeira, é a maior já aplicada pela CVM americana – a Securities and Exchange Commission (SEC), conhecida como xerife do mercado de capitais do país – a um negócio de auditoria, que geralmente é visto como uma referência em ética no mundo das finanças. Essas empresas, afinal, são responsáveis por verificar as contas de outras companhias, identificando práticas contábeis dúbias e relatando problemas.

Segundo os reguladores, a companhia, conhecida como EY, identificou que a empresa forneceu informações inconsistentes, escondeu evidências e violou regras contábeis desenhadas para garantir a integridade da profissão. “É um escândalo que os profissionais responsáveis por encontrar informações enganosas tenham, eles mesmos, burlado exames de ética”, disse Gurbir S. Grewal, diretor de execução da SEC, em comunicado.

A multa equivale a mais do que o dobro do valor pago pela KPMG em 2019, quando a companhia foi investigada por acusações semelhantes. Na época, os reguladores enviaram à EY uma queixa sobre o fato de que seus profissionais estariam burlando os resultados de exames. Apesar de a EY ter sido informada do problema, os reguladores não foram imediatamente informados

de que a empresa sabia do caso, o que levou a uma investigação da própria SEC.

A EY admitiu que sua conduta foi errada. “Nada é mais importante para nós do que ética e integridade”, disse a empresa,

em nota. Ela disse que “compartilhar respostas em qualquer teste ou exame é uma violação do nosso código de conduta, e não é tolerado”. A empresa disse que vai ampliar seus esforços para garantir o cumprimento interno de regras de ética.

A firma, que tem mais de 300 mil empregados no mundo, é considerada uma das “Big 4” no mundo da auditoria, grupo que inclui Deloitte, KPMG e PwC. Essas empresas são responsáveis por monitorar as contas das maiores empresas do mundo.

CASO ENRON

Os reguladores americanos começaram a olhar o setor de auditoria e consultoria mais de perto há cerca de duas décadas. O colapso da Enron, em 2001, teve relação com a firma de auditoria Arthur Andersen, que ajudou a perpetrar a fraude contábil da gigante de energia. Os procuradores federais abriram acusações criminais contra a Arthur Andersen, que não existe mais. 

Na esteira do caso Enron e de outras grandes fraudes corporativas, o Congresso americano passou uma nova legislação que criou uma regra mais dura para as empresas de auditoria. 

De forma mais geral, uma área de preocupação para a SEC é a questão da independência dos auditores. Os reguladores querem ter certeza de que a visão de uma determinada empresa do ramo sobre as contas de um negócio não seja comprometida por algum tipo de consultoria ou trabalho de lobby que essa mesma firma faça em paralelo. 

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