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Espanha gasta € 8,4 milhões com realeza

Em plena crise, família real abre suas contas pela primeira vez em 32 anos e é duramente criticada

Jamil Chade, correspondente de O Estado de S. Paulo em Genebra,

29 de dezembro de 2011 | 08h23

Em meio à pior crise em décadas e diante de um escândalo de corrupção que envolve um membro da família real, os espanhóis finalmente descobrem o quanto custa manter um rei no país. Pressionada, a família real espanhola decidiu ontem divulgar pela primeira vez suas contas em 32 anos desde que assumiram o trono. Os números, duramente criticados por grupos republicanos, políticos e comentaristas, são revelados no mesmo dia em que o governo decidiu congelar o salário mínimo.

O rei Juan Carlos tem salário anual de 292 mil de euros, quase quatro vezes o de Marian Rajoy, presidente do governo. O príncipe espanhol Felipe tem salário anual equivalente ao dobro do chefe de governo. No total, a manutenção da realeza aos cofres públicos é de 8,4 milhões de euros por ano.

O rei não tem poderes executivos na Espanha e foi reinstaurado com a queda da ditadura franquista. Por anos, manteve uma imagem positiva entre os espanhóis, elogiado por seu compromisso democrático e defensor do diálogo.

Mas com 22% da população desempregada, os níveis de pobreza subindo, cortes em saúde e educação, alguns exageros passaram a ser criticados. Amanhã, o governo anuncia seu primeiro grande pacote de austeridade que deve cortar até mesmo feriados nacionais. Se não bastasse, a família real vive um pesadelo. Inaki Urdangarin, marido de uma das filhas do rei, está sendo investigado por corrupção e tráfico de influência.

Diante dessa situação, o rei optou por revelar suas contas, para tentar mostrar transparência. Mas a opinião pública ficou ainda mais irritada. Dos 292 mil de euros que ganha por ano, 140 mil de euros são para suas finanças pessoais. O resto seria para se usado em festas, recepções e presentes a convidados - chamados "gastos de representação".

Mas o que mais chocou a população foi a operação montada para manter a família. No total, 507 pessoas trabalham exclusivamente para o rei - 80 delas se dedicam à casa do monarca, incluindo jardineiros, copeiras e faxineiras. As cozinheiras prepararam, assim, 150 refeições diárias para manter alimentados os funcionários do rei. Setenta e um motoristas trabalham para as seis pessoas da família real.

De seu salário, o rei não precisa gastar um só centavo para pagar luz, água ou gás. Isso tudo o Estado cobre. Viagens ficam por conta da chancelaria, enquanto os veículos também são bancados pelo governo, com mais 57 milhões de euros por ano. A manutenção das casas reais (outros 140 milhões de euros) e os salários de seus funcionários (5,9 milhões de euros) também não entram na conta. E o rei não paga por seus seguranças.

Polêmica

A revelação dos dados reabriu o debate na Europa sobre quanto custa aos governos do continente quebrado manter essas personalidades. Nos demais países europeus, os gastos com a realeza são bem superior aos da Espanha.

O príncipe Charles, no Reino Unido, recebe por mês  1,5 milhão de euros. Na Holanda, a rainha Beatriz recebe  5 milhões de euros por ano. Na Bélgica, o rei Alberto II recebe 10,5 milhões de euros por ano.

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