Espanha pode precisar de novo socorro até o fim do ano, diz Citigroup

A reestruturação da dívida soberana é evitável, mas exigirá medidas fiscais e estruturais mais radicais, disse o economista-chefe do banco, Willem Buiter

Clarissa Mangueira, da Agência Estado,

28 de março de 2012 | 08h32

A Espanha poderá precisar de algum tipo de socorro até o fim do ano, apesar da reestruturação da dívida de quarta maior economia da zona do euro ser evitável, afirmou o economista-chefe do Citigroup, Willem Buiter, em um relatório. "A reestruturação da dívida soberana é evitável, mas exigirá medidas fiscais e estruturais mais radicais", disse.

Segundo ele, se nenhum dos problemas do país forem resolvidos, a Espanha poderá precisar de algum tipo de um resgate neste ano da Comissão Europeia, Banco Central Europeu (BCE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI). Buiter alertou que o país poderá perder o acesso aos mercados financeiros ou o BCE poderá tornar o apoio adicional para os bancos espanhóis condicional à aceitação de um programa projetado por essas instituições.

Espanha foi uma das principais beneficiadas pelas ofertas de refinanciamento de três anos realizadas pelo BCE e os recursos têm sido usados pelos bancos espanhóis para comprar dívida pública.

O novo governo do primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, divulgou os dados do déficit orçamentário que são "significantemente piores" que os imaginados, mas, embora tenha agido agressivamente sobre as reformas estruturais muito necessárias, adiou novas medidas de austeridades, segundo o economista.

O déficit orçamentário de 8,51% do Produto Interno Bruto (PIB) da Espanha em 2011 superou a meta de déficit de 6% do PIB estabelecidas pelo governo do Partido Socialista anterior, declarou Buiter. O valor maior tem um "sabor grego" e foi em grande parte resultado de uma falha na implementação das medidas de austeridade acordadas, e não de um desempenho econômico decepcionante.

Segundo ele, a decisão do governo espanhol de adiar a apresentação de seu orçamento para 30 de março foi vista como um movimento para evitar o anúncio de novos cortes de gastos antes da eleições regionais realizadas no último domingo na Andaluzia e fez "pouco para impulsionar a posição da Espanha nos mercados mundiais."

O economista do Citigroup elogiou os movimentos recentes do governo espanhol para estabelecer novos controles orçamentários sobre suas regiões e revisar as leis trabalhistas, mas o economista disse que a taxa de desemprego de quase 23% do país "exige reformas grandes e sem precedentes em seu mercado de trabalho". As informações são da Dow Jones.

Pressão

A Comissão Europeia negou que esteja pressionando a Espanha para que acelere a reorganização do seu combalido sistema bancário e acesse o fundo de socorro da zona do euro com a finalidade de financiar os esforços, se necessário.

"A informação que nós vimos na imprensa não tem base alguma", disse Amadeu Altafaj Tardio, um porta-voz do comissário europeu para Relações Econômicas e Monetárias, Olli Rehn.

Tardio alertou que o custo da circulação de "informação enganosa é pago totalmente pelo povo espanhol" e acrescentou que a comissão acredita que a Espanha tem um plano crível para dar suporte a seus bancos.

Mais cedo nesta quarta-feira, inúmeros jornais espanhóis reportaram que autoridades da Comissão acreditam que os bancos espanhóis precisarão levantar mais de os € 50 bilhões que governo espanhol diz que eles precisam para dar baixa contábil no valor de empréstimos imobiliários ruins. Um estudo do banco UBS, citado nesta quarta-feira pelo jornal El País na sua edição online, aponta que a necessidade de provisões adicionais superaria € 100 bilhões. Segundo o jornal, os bancos espanhóis precisarão detalhar nesta semana ao Banco de Espanha as medidas que irão tomar em relação às provisões extras.

Os jornais espanhóis também disseram que a Comissão deseja ver a reorganização dos bancos do país completada o mais breve possível, para que essas instituições retomem suas atividade de empréstimos. As informações são da Dow Jones.

Tudo o que sabemos sobre:
EspanhaCitigroup

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.