Espanha quer forçar bancos a reconhecer prejuízos mais rapidamente

Medida é um esforço para acelerar a limpeza de um sistema financeiro que estásofrendo com o colapso do boom do setor imobiliário que durou umadécada

Danielle Chaves, da Agência Estado,

27 de maio de 2010 | 10h57

O Banco da Espanha quer que os bancos do país reconheçam prejuízos mais rapidamente, em um esforço para acelerar a limpeza de um sistema financeiro que está sofrendo com o colapso do boom do setor imobiliário que durou uma década.

Em uma proposta publicada na tarde de ontem, o banco central disse que quer que os fornecedores de crédito espanhóis façam provisões para o valor total de cada empréstimo ruim até um ano depois de eles expirarem. Atualmente os bancos têm de fazer a provisão gradualmente durante um período de dois a seis anos, dependendo da qualidade do colateral.

A proposta também eleva a exigência de provisões para os ativos imobiliários que os fornecedores de crédito possuem em seus balanços financeiros. Os bancos serão consultados sobre a proposta.

Analistas dizem que a medida pode fornecer a transparência necessária para um setor que está sob intenso escrutínio dos investidores internacionais, preocupados com as consequências da atual reestruturação dos frágeis bancos de poupança espanhóis. A limpeza desse segmento bancário é um dos maiores desafios para a Espanha atualmente, além da taxa de desemprego de cerca de 20% e do aumento do déficit orçamentário.

Nesta semana, o governo espanhol assumiu o controle do CajaSur e surpreendeu os mercados. As preocupações com o acesso dos bancos espanhóis à liquidez também cresceram nos últimos dias, em meio ao aumento do custo dos empréstimos interbancários. Além disso, ontem o Wall Street Journal publicou que o Banco Bilbao Viscaya Argentaria (BBVA) pode ter dificuldades em financiar US$ 1 bilhão em dívida.

As mudanças pretendidas pelo Banco da Espanha eliminariam cerca de 10% do lucro antes de impostos do setor bancário neste ano. Nas execuções de hipotecas ou quando os bancos trocarem os empréstimos por ativos imobiliários, os fornecedores de crédito terão de fazer provisão de 10% do valor da aquisição imediatamente, outros 10% depois de um ano e mais 10% se ainda possuírem o ativo por mais de dois anos, segundo o banco central.

Os ativos imobiliários em poder dos bancos espanhóis estão crescendo cada vez mais. De acordo com dados de março, os bancos espanhóis tinham 33,43 bilhões de euros (US$ 40,9 bilhões) em ativos imobiliários em seus balanços financeiros, dos quais 70% pertenciam aos bancos de poupança.

As informações são da Dow Jones. 

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