Espanha vive dia de greve e manifestações

Algumas lojas ficarão fechadas hoje e a Corte Inglês, uma das principais de Barcelona, está com as entradas da loja protegidas com policiais armados

Tião Oliveira, do Jornal da Tarde, e Priscila Arone, da Agência Estado,

29 de março de 2012 | 08h05

MADRI - O dia amanheceu com clima tenso em Barcelona, na Espanha, por conta da greve geral iniciada à meia-noite. A polícia cercou as principais ruas do Centro de Barcelona e com a ajuda de helicópteros tenta manter a ordem. A maior parte das lojas está fechada.

Na praça Catalunha, uma das principais da cidade, a loja Corte Inglês é uma das poucas que está aberta aos consumidores, a maioria turistas, que são recebidos com aplausos. As entradas da loja estão protegidas com muitos policiais armados e com coletes balísticos. Já outras lojas apresentam comunicados na fachada avisando sobre o fechamento durante o dia de hoje.

A polícia também acompanha a movimentação de milhares de manifestantes nas ruas e é possível ouvir estouros de rojões pela cidade. Além do comércio, há a informação ainda não confirmada sobre o fechamento do Aeroporto de Barcelona a partir das 18 horas desta quinta-feira.

A greve, convocada pelos dois maiores sindicatos espanhóis, é o primeiro desafio às medidas de austeridade e reformas do primeiro-ministro Mariano Rajoy. A medida atraiu o apoio do Partido Socialista, que esteve no poder até dezembro e representa a maior oposição no Parlamento, e também do bloco Esquerda Unida.

Nas ruas do centro de Madri havia um pouco mais de trânsito do que o normal, já que mais pessoas usaram seus carros para ir para o trabalho. O governo regional da capital entrou num acordo com as operadores de transporte público para que operassem com no mínimo 30% de sua capacidade.

Na estação de metrô e trem Sol havia menos atividade do que de costume. Lidia Castillo, garçonete de um restaurante próximo, disse que havia menos pessoas do que o normal no trem, que a trouxe do subúrbio de Villaverde. Segundo ela, os trens passam em intervalos de 20 a 30 minutos, em vez dos 10 a 15 minutos habituais.

As ruas próximas à Praça do Sol, na região central, estavam cheias de folhetos espalhados e as frentes das lojas estavam cheias de adesivos nos quais se lia "Estamos em greve!" e "Eles querem tirar nossos direitos!" A rua Carrera San Jeronimo estava cheia de lixo, garrafas de cerveja e os restos de uma pequena fogueira que um grupo de manifestantes acendeu durante a madrugada.

Grupos de manifestantes pacíficos apitavam e agitavam bandeiras. Um pequeno grupo parou em frente a um café e colou adesivos na vitrine, antes de um garçom sair e mandá-los embora. "Greves não resolvem nada", disse o garçom Andres.

Em outras partes de Madri, seis policiais ficaram levemente feridos em confrontos com grupos sindicais e manifestantes contrários às políticas de austeridade, informou um porta-voz do Ministério do Interior. Manifestantes bloquearam estrada na Catalunha e em Valência, no leste do país, e fecharam parques industriais em Zaragoza, no norte, de acordo com uma associação de empresas de transporte.

A lei de reforma trabalhista tem como objetivo tornar mais fácil para as empresas demitir e contratar funcionários e é vista pelo governo com uma forma de reduzir a taxa de desemprego no país, que é de 23% e a maior da zona do euro. O projeto foi saudado por autoridades da União Europeia. O governo espanhol diz que se trata do mais importante projeto aprovado neste ano, mas os sindicatos afirmam que ela vai resultar numa taxa de desemprego ainda maior. As informações são da Dow Jones.

Tudo o que sabemos sobre:
Espanhagreve

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.