Esso na Argentina atrai interesse da Petrobrás e PDVSA

Rumores indicavam que Kirchner está irritado com intenção da Petrobrás

Ariel Palacios ,

24 de setembro de 2007 | 21h30

Venceu nesta segunda-feira o prazo para que as empresas interessadas na compra dos ativos da Esso na Argentina fizessem suas ofertas. Na lista das interessadas estavam - segundo informações do mercado - a Petrobrás, a estatal venezuelana PDVSA e diversos empresários argentinos - entre eles o Grupo Dolphin - que possuem boas relações com o governo do presidente Néstor Kirchner. Os ativos da Esso na Argentina englobam uma refinaria na cidade de Campana, a 150 quilômetros de Buenos Aires, 90 postos de gasolina próprios e uma rede de 500 postos com a bandeira da empresa mas sob licença. Informações extra-oficiais sustentavam que a base da venda dos ativos da Esso seria de US$ 200 milhões. Mas, analistas indicam que o valor deve ser superior, de US$ 300 milhões. Os analistas também indicam que o comprador deverá ter fôlego para resultados a longo prazo, já que as empresas do setor atualmente são alvos de constantes pressões por parte do governo Kirchner, além de padecerem um controle de preços que os torna os mais baixos da região. A miniestatal argentina da área energética, a Enarsa, não foi convidada pelo banco de investimentos JP Morgan para participar das ofertas. No entanto, não se descarta que a Enarsa, menina dos olhos do presidente Néstor Kirchner, possa participar no futuro próximo de alguma forma na compra de ativos da Esso. Neste fim de tarde, rumores na cidade financeira portenha indicavam que o governo Kirchner estava "irritado" e sentindo "mal-estar" com a intenção da Petrobrás de adquirir os ativos da Esso na Argentina, já que isso concederia à empresa brasileira um peso de quase 35% no mercado local de combustíveis. Atualmente a Petrobrás conta com duas refinarias e 700 postos de gasolina no país. Segundo a agência DyN, fontes do Ministério do Planejamento Federal indicaram que o governo preferiria que a Petrobrás "cumprisse com os investimentos em produção (de hidrocarbonetos) que prometeram realizar na Argentina" em vez de comprar os ativos da Esso. Mas, outras informações extra-oficiais indicavam que tratava-se de apenas de jogo de cena do governo. Essas informações sustentavam que Kirchner espera que a Petrobrás posteriormente revenda os ativos da Esso na Argentina. Desta forma, a Petrobrás ficaria com as instalações da Esso nos outros países da região, como o Uruguai e Paraguai, e repassaria os ativos na Argentina. Isso permitiria que a Enarsa pudesse - possivelmente em associação com a venezuelana PDVSA ou com empresários locais - adquirir os ativos da Esso. Os rumores indicavam que a PDVSA ofereceria à Exxon Mobil, a dona da Esso, uma refinaria que possui no Texas sob a marca da Citgo. Essa refinaria possui capacidade para processar 165 mil barris diários de petróleo. Com esta troca de ativos, a Exxon ficaria isenta de pagar impostos (ao contrário da eventual operação de compra por parte, por exemplo, da Petrobrás). A eventual compra da Esso na Argentina permitiria que o presidente venezuelano Hugio Chávez pudesse realizar seu ambicionado sonho de fincar sua presença na área de combustíveis na Argentina.

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