Estados do Sul discutem vacinação contra aftosa e embargo russo

Porto Alegre, 7 - Os secretários da Agricultura dos três Estados do sul estiveram reunidos hoje em Florianópolis (SC) discutindo as diferenças sanitárias existentes no Circuito Pecuário Sul e o embargo aplicado pela Rússia à carne brasileira. De acordo com relato do secretário gaúcho, Odacir Klein, a manutenção do circuito pecuário foi debatida superficialmente e ficou evidenciada, mais uma vez, a diferença de posições entre os Estados, já que Santa Catarina defende seu status de área livre de aftosa sem vacinação e os dois vizinhos querem continuar imunizando o gado contra a doença. Klein buscou o respaldo do colega catarinense, Moacir Sopelsa, para a reivindicação gaúcha de reabertura das vendas para a Rússia. Segundo ele, Sopelsa disse que Santa Catarina - o único Estado autorizado a vender carne bovina, suína e de frango para a Rússia atualmente - não tem objeções a esta retomada. Além disso, Sopelsa teria lembrado que o acordo sanitário entre Brasil e Rússia permite a venda de carne oriunda de Estados livres de aftosa e nos quais não houve registro da doença nos últimos dois anos. "Nosso trabalho, agora, tem que ser feito junto ao Ministério da Agricultura e à Rússia", disse Odacir. Para o presidente da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Carlos Sperotto, os Estados precisam tomar uma decisão. "A solução é ou nós pararmos de vacinar ou eles vacinarem", avaliou Sperotto, que hoje fez um balanço do ano para o setor agropecuário. Sperotto lembrou que haverá uma reunião técnica no final do ano do Escritório Internacional de Epizootias (OIE) e, em maio, o organismo realizará seu encontro anual. Neste último, será analisada a proposta de Santa Catarina de fazer a cisão no circuito pecuário sul (RS, SC e PR). O dirigente recordou ainda que teve uma reunião na semana passada no Ministério da Agricultura, quando o tema foi discutido. "Foi um dos itens manifestados com maior veemência pelo governador (Germano Rigotto), da inconformidade da manutenção desse status criado internamente no Brasil e não reconhecido pela OIE", disse Sperotto. Para a OIE, todo o circuito pecuário tem que ter um status único, observou o dirigente. "Portanto, é uma situação que não nos traz conforto", acrescentou Sperotto, lembrando do fato de que uma ocorrência de aftosa no Amazonas gerou o embargo da Rússia a todo o Brasil. "Hoje estamos aí com o Estado de SC com a prioridade e exclusividade de comercialização de carne suína tendo em vista este status que o próprio ministério delegou", opinou Sperotto. O rebanho bovino catarinense, contudo, tem cerca de 2,5 milhões de cabeças, enquanto o Brasil tem 195 milhões, comparou ele.

Agencia Estado,

07 de dezembro de 2004 | 18h28

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