Estamos preocupados com o futuro do FMI, diz Mantega

Em coletiva ao lado de Christine Lagarde, ministro disse que o importante para o Brasil é que o FMI continue a colocar os países emergentes em posição de maior protagonismo

Célia Froufe e Renata Veríssimo, da Agência Estado,

30 de maio de 2011 | 15h18

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta segunda-feira, 30, que o Brasil está atento aos desdobramentos do Fundo Monetário Nacional (FMI) com a eleição da nova diretoria do órgão. "Estamos preocupados com futuro do FMI", disse Mantega durante entrevista coletiva que faz neste momento ao lado da ministra das Finanças da França, Christine Lagarde, candidata ao posto.

Para o ministro, o importante para o Brasil é que o FMI continue sua trajetória dos últimos três anos, quando passou por importantes reformas e colocou os países emergentes em posição de maior protagonismo. "Christine escolheu o Brasil em primeiro lugar para fazer sua campanha. Isso nos deixa muito satisfeitos", comentou Mantega. Segundo ele, com a representação de mais países, o FMI tornou-se uma organização mais eficiente para enfrentar problemas da economia global.

Mantega salientou que, durante seu mandato, Dominique Strauss-Kahn fez política não ortodoxa. "Durante a crise, o FMI recomendou políticas anticíclicas, o que não era típico do Fundo do passado. Desenvolvemos linha de crédito mais flexível sem condicionantes e demos a possibilidade de que emergentes tivessem participação maior no Fundo", disse.

O ministro destacou que, em 2008, houve uma maior participação a emergentes no FMI e que, em 2010 foi combinada outra reforma, numa etapa que deve ser cumprida até 2012. A intenção é que a participação do Brasil no Fundo passe de 1,4% para 3,3%. Ele acrescentou ainda que uma nova reforma deve ocorrer até o início de 2014. "O importante é que o novo diretor gerente se comprometa a dar continuidade a novas reformas. Queremos um FMI mais forte, com participação maior dos emergentes na solução dos problemas mundiais", avaliou.

Mantega lembrou que, no passado, o FMI se ocupava mais com os países emergentes, pois eram os que mais pediam recursos. "Hoje, a situação está invertida, o FMI está mais ocupado com os países desenvolvidos e estamos solidários", disse Mantega. "Temos de ter espaço para participar das soluções. Isso é muito importante para nós", reforçou.

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