Estoque de crédito fica praticamente estável em janeiro, com alta de 0,1%

Segundo o BC, o crédito voltado à pessoa física aumentou 1%, mas o financiamento às empresas teve queda de 0,7%; inadimplência ficou em  4,8%

Laís Alegretti, Eduardo Rodrigues e Murilo Rodrigues Alves, da Agência Estado,

27 de fevereiro de 2014 | 10h46

BRASÍLIA - O estoque de operações de crédito do sistema financeiro subiu 0,1% em janeiro ante dezembro e chegou a R$ 2,717 trilhões, informou o Banco Central. No acumulado em 12 meses, houve alta de 14,8%. A alta do juro básico anunciada nesta quarta-feira, 26, deve pressionar ainda mais a expansão do crédito nos próximos meses.

A alta foi puxada pelo crédito às pessoas físicas, cujo crescimento foi de 1%. Houve recuo, por outro lado, de 0,7% no financiamento às empresas.

De acordo com a autoridade monetária, o crédito livre caiu 1,1% no mês e subiu 7,5% em 12 meses, enquanto o direcionado aumentou 1,5% ante dezembro e 25,3% em 12 meses. No crédito livre, houve crescimento de 0,6% para pessoas físicas no mês e de 7,4% em 12 meses. Para as empresas, no crédito livre, houve queda de 2,7% no mês e alta de 7,5% em 12 meses.

O BC informou ainda que o total de operações de crédito em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) caiu de 56,5% em dezembro para 56,1% em janeiro.

Inadimplência. A taxa de inadimplência no crédito livre ficou em 4,8% em janeiro deste ano, nível superior ao porcentual de dezembro de 2013, que foi de 4,7%. Para pessoa física, houve recuo de 6,7% para 6,6% na comparação mensal. Para as empresas, porém, passou de 3,1% para 3,2%. Já a inadimplência do crédito direcionado ficou estável em 0,9% em janeiro.

O dado que considera o crédito livre mais o direcionado mostra inadimplência de 3,0% em janeiro, mesmo nível de dezembro de 2013. No crédito livre para pessoa física, a inadimplência no crédito pessoal caiu de 4,0% em dezembro de 2013 para 3,9% no mês passado. No cheque especial, caiu de 9,3% para 8,9% na comparação mensal. Na aquisição de veículos, ficou estável em 5,2% em janeiro, mesmo nível de dezembro. No cartão de crédito, caiu de 25,6% para 24,5% na mesma base de comparação.

Veículos. O estoque de operações de crédito livre para compra de veículos por pessoa física subiu 0,1% na passagem de dezembro para janeiro, segundo informou há pouco o Banco Central. Com isso, o total de recursos para aquisição de automóveis por esse grupo de clientes ficou em R$ 193,014 bilhões no mês passado, ante R$ 192,793 bilhões em dezembro. Em 12 meses, porém, a queda é de 0,2% no estoque dessas operações.

As concessões acumuladas em janeiro para financiamento de veículos para pessoa física somaram R$ 8,391 bilhões, o que representa uma queda de 11,3% em relação ao mês anterior (R$ 8,391 bilhões).

Habitação. As operações de crédito direcionado para habitação no segmento pessoa física cresceram 1,8% em janeiro ante dezembro, totalizando R$ 347,716 bilhões no fim do mês passado, de acordo com o Banco Central. Em 12 meses, a expansão é de 33%. Segundo o BC, R$ 36,552 bilhões se referem a empréstimos a taxas de mercado e R$ 311,164 bilhões a taxas reguladas.

O BC deixou de incorporar nestes dados as operações com crédito livre, por serem residuais. As operações a taxas de mercado apresentaram crescimento de 0,3% no mês e de 39% em 12 meses. Já os financiamentos a taxas reguladas avançaram 2% ante o mês anterior e 32,4% em 12 meses.

Juros. Os consumidores brasileiros pagaram no início de 2014 a taxa de juros do cheque especial mais alta desde junho de 2012. Segundo dados divulgados há pouco pelo Banco Central, a taxa de juros do cheque especial em janeiro, de 154% ao ano, é a maior desde junho de 2012, quando estava em 156,7% ao ano.

Segundo o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Tulio Maciel, os níveis de taxas de juros mais elevados tendem a se movimentar mais. "Quando a taxa básica se movimenta, essas taxas mais altas têm maior oscilação", afirmou.

Na modalidade de crédito para empresas, Maciel destacou o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), cujos financiamentos para empresas cresceram 1,5% em janeiro na comparação com dezembro, para R$ 522,362 bilhões.

"Parte da carteira está vinculada à taxa de câmbio, que tem se desvalorizado nos últimos meses. Isso influencia o crescimento do crédito de investimento", explicou.

Spread. O spread bancário médio no crédito livre subiu de 17,5 pontos porcentuais em dezembro para 18,9 pp em janeiro. O spread médio da pessoa física no crédito livre passou de 25,8 pp para 27,4 pp. Para pessoa jurídica, o spread médio subiu de 10,6 pp para 11,7 pp no período. O spread médio do crédito direcionado subiu de 2,6 pp para 2,8 pp de dezembro para janeiro. O spread médio no crédito total (livre + direcionado) passou de 11,1 pp para 11,8 pp.

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