Estoque de crédito sobe 0,6% em abril e atinge R$ 2,78 trilhões

A alta foi puxada pelo crédito às pessoas físicas, cuja expansão foi de 0,9%, segundo dados do Banco Central 

Victor Martins e Eduardo Rodrigues, da Agência Estado, Texto atualizado às 11h40

29 de maio de 2014 | 10h30

O estoque de operações de crédito do sistema financeiro subiu 0,6% em abril ante março e chegou a R$ 2,777 trilhões, informou o Banco Central, na quinta-feira, 29. No acumulado em 12 meses, foi registrado crescimento de 13,4%. A alta foi puxada pelo crédito às pessoas físicas, cuja expansão foi de 0,9%. No crédito às empresas houve avanço de 0,4%.

De acordo com a autoridade monetária, o crédito livre subiu 0,1% no mês e 6,2% em 12 meses, enquanto o direcionado aumentou 1,3% ante março e 23,2% em 12 meses. No crédito livre, houve crescimento de 0,2% para pessoas físicas no mês e de 6,3% em 12 meses.

Para as empresas, no crédito livre, houve queda de 0,1% no mês e alta de 6,1% em 12 meses. O BC informou ainda que o total de operações de crédito em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) ficou estável em 55,9% em abril ante março.

O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Tulio Maciel, disse que o crédito de pessoa física com recursos livres como um todo não cresceu de forma mais expressiva em abril porque modalidades relevantes em termos de volume, como a aquisição de veículos e o cartão de crédito à vista, apresentaram recuo no mês. "É o terceiro mês consecutivo de queda no segmento de veículos, que já mostra queda de 2,1% em 12 meses depois de ter apresentado crescimento de até 50% em 12 meses em 2010", destacou o economista.

Maciel também citou que o crédito para empresas com recursos livres em abril "normalmente é mais fraco". Ele destacou, no entanto, a recuperação das linhas de capital de giro, que tinham recuado em março, mas aumentaram 0,9% em abril. "Isso representa mais da metade do crédito para pessoas jurídicas", acrescentou. Já no crédito direcionado, Maciel destacou o crescimento tanto dos financiamentos às famílias quanto para as empresas. "O ritmo de moderação no crédito direcionado para pessoas físicas é lento, devido ao financiamento imobiliário, que continua crescendo a taxas mensais expressivas. Gradualmente essa taxa de expansão vem se reduzindo, mas ainda é relevante", completou.

Alta acima do PIB. Maciel disse que o crédito no País continua crescendo a taxas superiores à expansão do PIB nominal. "O crédito continua um fator relevante de contribuição para o crescimento da atividade econômica, mas é natural que os porcentuais de aumento diminuam à medida que a base de comparação aumenta", ponderou. Segundo ele, a maior educação financeira e conscientização dos tomadores de crédito nos últimos anos tem impacto relevante na moderação de modalidades de crédito de custo mais elevado, além de ajudar a estabilizar a inadimplência. "Além disso, o aumento da renda também possibilita o pagamento em dia dos compromissos dos tomadores", acrescentou.

O economista citou ainda que, além dos bancos públicos, os bancos privados também têm atuado com maior apetite nos segmentos com maior expansão, como o crédito imobiliário e o crédito consignado. "São os dois segmentos que vêm puxando o crédito como um todo, e têm crescente participação dos privados, embora suas carteiras sejam menores que as dos bancos públicos. É uma mudança recente", afirmou.

Veículos. O estoque de operações de crédito livre para compra de veículos por pessoa física caiu 0,5% na passagem de março para abril. Com isso, o total de recursos para aquisição de automóveis por esse grupo de clientes ficou em R$ 189,006 bilhões no mês passado, ante R$ 189,952 bilhões em março. Em 12 meses, a queda é de 2,1% no estoque dessas operações. As concessões acumuladas em abril para financiamento de veículos para pessoa física somaram R$ 7,588 bilhões, o que representa uma alta de 14% em relação ao mês anterior (R$ 6,654 bilhões).

Imóveis. As operações de crédito direcionado para habitação no segmento pessoa física cresceram 1,9% em abril ante março, totalizando R$ 367,636 bilhões no fim do mês passado. Em 12 meses, a expansão é de 30,7%. Segundo o BC, R$ 37,718 bilhões se referem a empréstimos a taxas de mercado e R$ 329,918 bilhões a taxas reguladas.

O BC deixou de incorporar nestes dados as operações com crédito livre, por serem residuais. As operações a taxas de mercado apresentaram crescimento de 1,0% no mês e de 30,0% em 12 meses. Já os financiamentos a taxas reguladas avançaram 2,0% ante o mês anterior e 30,7% em 12 meses.

Tudo o que sabemos sobre:
créditoBanco Central

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.