Estoque e Justiça travam o mercado da laranja

Há mais de um mês lavoura deveria estar sendo colhida, mas sem comprador a fruta cai do pé no interior de SP

Rene Moreira, O Estado de S. Paulo

10 de junho de 2014 | 08h47

FRANCA - O mercado da laranja está travado no Brasil e motivos para isso não faltam, sendo um deles os estoques das companhias de suco que se mantêm ainda elevados. Somado a esse fator, as indústrias continuam priorizando as próprias lavouras após as três principais (Cutrale, Citrosuco e Louis Dreyfus) terem sido condenadas pela Justiça, em março passado, a uma indenização de R$ 100 milhões por terceirizarem a colheita da fruta. 

No interior paulista a laranja já cai do pé em muitas propriedades onde a futa deveria estar sendo colhida há mais de um mês. Isso porque com a ausência das grandes companhias, as indústrias menores acabam por oferecer valores que, segundo o citricultor, não cobrem o custo de produção. Hoje o preço não tem chegado a R$ 7 a caixa, bem abaixo do mínimo de R$ 11,45 estipulados pelo governo federal para os leilões que ainda não começaram e que devem oferecer R$ 50 milhões em subsídio ao produtor.

 Para esta safra a previsão é de 290 milhões de caixas de 40,8 kg de laranja, o que significa uma quebra em torno de 25%. Segundo as companhias, a laranja deverá ter valorização somente em 2015, quando os estoques de suco concentrado estarão mais baixos no mercado mundial. 

Desemprego. A crise na citricultura já é sentida em muitas cidades que têm na laranja a principal fonte da economia. Na ponta do problema está o trabalhador que atua diretamente na colheita. Somente na região de Araraquara (SP) são 26 mil de braços cruzados. Já em Taquaritinga (SP) a situação é ainda pior pois, dos 55 mil habitantes, 20 mil dependem da citricultura. 

As indústrias já mandaram o recado que vão negociar nesta safra, mas alegam que precisam rever alguns parâmetros após a decisão judicial que as coloca como responsáveis pelos trabalhadores das lavouras.

 

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