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Estrangeiros têm cautela com expansão do setor naval no Brasil

Maior construtor de navios domundo atualmente, a Coréia do Sul está de olho na indústrianaval brasileira e no potencial de encomendas que as novasdescobertas na área do petróleo vão demandar. Mas com cautela,explicou à Reuters o diretor da Sy Marine do Brasil, RonaldoArouca. "Eles estão querendo entender qual o futuro dessa áreanaval, porque ninguém vai colocar dinheiro no Brasil se nãotiver um projeto de longo prazo", disse Arouca, representantede companhias coreanas que estão presentes pela primeira vez naNavalshore 2008. Reunidas em um mesmo stand, Hyundai, Tank Tech, Panasia eDeyang prospectam oportunidades no país, mas sem pressa paradecidir investimentos, segundo Arouca. "É um primeiro passo, por isso eles estão vindo, mas só aencomenda da Transpetro não é suficiente, é uma visão de 10anos, praticamente, é pouco, a Coréia faz um navio a cada 15dias", ressaltou o executivo. "Eles querem um plano mais concreto do governo (brasileiro)e das entidades no médio e longo prazo", concluiu. Também animado com o novo mercado mas prevendo ainda algumtempo para tomada de decisões, o representante comercial danorueguesa Aker Promar, José Guilherme Vieira, foi reticentequanto a confirmar informações de que o grupo estariaplanejando uma expansão. "Ainda falta uma definição do grupo de se vale a penaexapandir ou melhorar a área atual", disse ele a jornalistasdurante a feira da indústria naval no Rio de Janeiro. O estaleiro Aker Promar, localizado em Niterói, estudaconstruir mais uma unidade em Quissamã, no Estado do Rio deJaneiro, ou se vai ampliar as instalações já existentes. Entreas dificuldades para um novo estaleiro, Vieira apontou a demorada licença ambiental e a dragagem de um rio, "que deveria serfeita pelas prefeituras de Campos e Quissamã e que ainda estápara acontecer". OUTRO LADO Sem novos estaleiros ou expansão expressiva dos jáexistentes será difícil atender a tantas demandas que virão daPetrobras e outras petrolíferas, afirmou o secretário-geral dosindicato do setor, Sinaval, Sérgio Leal. "Principalmentequando começar a exploração da área pré-sal no país", uma faixade 800 quilômetros que se estende na costa brasileira doEspírito Santo a Santa Catarina e que pode conter bilhões debarris de petróleo. Ele se disse confiante na consolidação do setor quepraticamente foi extinto na década de 1980 e explicou que aretomada será feita aos poucos. "O Brasil virou um grande produtor e cada plataforma quefor instalada vai demandar uns três navios de apoio", afirmouLeal. Ele garantiu que novos estaleiros serão realmenteinstalados e citou como exemplo o anúncio feito pelo governo doMaranhão, na semana passada, de que iria incentivar ainstalação de um estaleiro naquele Estado, provavelmente comogrupo Mauá/Eisa. Para financiar o setor, o Fundo de Marinha Mercantereservou este ano orçmamento de 3,1 bilhões de reais e prevêque em 2009 terá que subir o valor para 3,7 bilhões de reais,devido à demanda por crédito. Em 2002, a verba para o setor nãopassava de 600 milhões de reais, segundo a diretora do fundo,Débora Teixeira, presente no evento. Também querendo participar da esperada explosão dessaindústria, o diretor da Associação Brasileira da Indústria deMáquinas e Equipamentos (Abimaq) criticou a exclusão dosfabricantes de peças dos incentivos do governo. "Os estaleiros têm que ser nacionais, mas as peças sãoquase todas importadas, o conteúdo nacional fica só namão-de-obra e no aço", disse Cesar Prata. Ele argumentou que os 65 por cento de conteúdo nacionalexigidos pelo governo não são suficientes para estimular aindústria de navipeças, já que 40 por cento desse total vem damão de obra e 25 por cento do uso de aço nacional. "Hoje somos excluídos dos projetos, o conteúdo nacionaldeveria ser de pelo menos 80 por cento", repetiu umareivindicação que, segundo ele, já está sendo feita há um anopara o governo. (Edição de Camila Moreira)

DENISE LUNA, REUTERS

25 de junho de 2008 | 19h24

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