Estreante OGX ofusca Petrobras em leilão de R$ 2,1 bi

A estreante OGX Petróleo e Gás,subsidiária do grupo EBX do empresário Eike Batista, foi ogrande destaque da nona rodada de licitações de blocos deexploração de petróleo do governo, desembolsando cerca de 1,5bilhão de reais em 21 blocos. O desempenho da OGX ofuscou a participação da Petrobras,que geralmente domina os leilões da ANP (Agência Nacional dePetróleo), apesar de a estatal ter arrematado 27 blocos, maspor valores menores, cerca de 290 milhões de reais. A subsidiária da EBX foi responsável, por exemplo, pelomaior valor já pago por um bloco nas rodadas da ANP. Ela levou por 344 milhões de reais o bloco S-M-270, napromissora bacia de Santos, onde está o recém-descoberto campogigante de Tupi, da Petrobras. Antes, o maior lance vencedor tinha sido da italiana ENI,de 307 milhões de reais, por um bloco leiloado no ano passadona oitava rodada da ANP. A OGX arrematou mais três blocos na bacia de Santos por 254milhões de reais. Ao final do leilão, previsto inicialmente para dois diasmas que foi concluído nesta terça-feira, a arrecadação da ANPcom as licitações somou o valor recorde de 2,1 bilhões dereais, mais que o dobro do recorde anterior, na sétima rodada,que movimentou 1 bilhão de reais. Dos 271 blocos oferecidos no leilão, 117 foram arrematados(43 por cento do total), o que revela, segundo o diretor-geralda ANP, Haroldo Lima, um interesse superior ao das rodadasanteriores, que era em torno de 30 por cento. O resultado foi bastante satisfatório para o governo, jáque uma parcela do mercado estava pessimista sobre o eventoapós a retirada --a poucos dias do leilão-- de 41 blocos deelevado potencial, relacionados à chamada camada pré-sal ondefoi descoberto Tupi. "Isso mostra que as empresas estão dispostas a investir.Não atrapalhou (tirar os blocos). Com certeza teríamos um bônusmuito maior, mas o Brasil precisa pensar o que é maisimportante para ele", afirmou a jornalistas durante o evento oministro interino de Minas e Energia, Nelson Hubner. Alguns relativizaram a posição do governo. "O único aspecto que confirma o pessimismo foi que asempresas 'majors' não apresentaram ofertas", disse a consultorado setor de petróleo Marilda Rosado de Sá. "Foi um leilão de muitas ofertas, feitas por pequenas emédias empresas. Esse é o futuro da nossa indústria, na minhaopinião", acrescentou ela. "As grandes empresas se prepararam para os 41 blocos,estavam concentradas neles", afirmou Haroldo Lima. "Quando foifeita a retirada, elas tiveram dificuldades e desinteresse. Arodada mostrou uma movimentação maior de pequenas e médiasempresas... foi uma rodada mais diversificada". PETROBRAS, NOVOS ATORES O gerente-executivo de Exploração e Produção da Petrobras,Francisco Nepomuceno, admitiu que não esperava talcomportamento da estreante OGX. A empresa de Eike teve a Petrobras como rival em quatro dosoito blocos que arrematou no primeiro e um dos mais importantessetores ofertados no leilão, o da bacia de Campos. No bloco C-M-592 de Campos, por exemplo, a Petrobrasofereceu 112,4 milhões de reais pela licitação, mas foi batidapelo lance de 237,2 milhões de reais da OGX. "Eles vieram forte e quando a empresa decide entrar dequalquer jeito, fica sem comparação", afirmou Nepomuceno, quefez uma ressalva sobre a disputa pelo lote em Campos. "Na nossa avaliação, o que oferecemos era o que valia obloco". Um representante da OGX presente ao leilão, que no entantopediu anonimato, afirmou que os altos valores desembolsadosdemonstram a vontade da empresa de crescer no setor. Ele afirmou que a companhia estava bem preparadafinanceiramente para a disputa. "Se fizemos oferta é porque tínhamos caixa", limitou-se adizer. O consultor da área de petróleo John Forman disse que asofertas da Petrobras foram coerentes com o padrão das rodadasanteriores. "O que mudou foram os novos atores, que entraram com maisapetite do que a Petrobras imaginava", afirmou. "Até em Rio do Peixe a Petrobras perdeu", afirmou, sobreuma nova fronteira teoricamente menos importante, cujos blocosacabaram em mãos de empresas menores que bateram os lances daestatal. Outra estreante no leilão da ANP, a Vale do Rio Doce,preferiu atuar somente como parceira em consórcios ao lado daPetrobras. A mineradora, que está buscando assegurar o fornecimento deenergia para suas operações no Brasil, arrematou nove blocoscomo parceira minoritária, incluindo três na bacia de Santos.

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