Estúdio MGM pede concordata nos EUA

Afundada em dívidas, empresa vinha tentando se fundir com a rival Lions Gate

04 de novembro de 2010 | 08h43

O lendário estúdio cinematográfico Metro-Goldwyn-Mayer pediu concordata ontem, seguindo um plano que colocará um dos mais tradicionais ícones de Hollywood sob controle de seus principais credores.

O pedido segue as regras do Capítulo 11 da Lei de Falências americana e só foi possível graças à decisão dos credores em apoiar uma recuperação da empresa sob a batuta dos executivos Gary Barber e Roger Birnbaum, da produtora Spyglass Entertainment.

A Metro concordou também com as condições propostas por Carl Icahn, um dos principais detentores de sua dívida, para conquistar o apoio do bilionário ao plano de reestruturação. Antes, Icahn preferia uma proposta rival, que previa a fusão da MGM com outro estúdio, o Lions Gate - empresa independente que obteve sucesso com filmes de prestígio, como Preciosa, e boas bilheterias comerciais, como a série de horror Jogos Mortais.

A concordata da MGM permitirá que credores como o Credit Suisse e o JP Morgan troquem mais de US$ 4 bilhões da dívida da MGM pela maior parte da participação patrimonial numa empresa reorganizada.

Capital novo. Stephen Cooper, codiretor executivo da MGM, disse em pronunciamento que a reorganização vai melhorar a situação financeira da empresa ao "reduzir drasticamente" o endividamento e proporcionar acesso a novo capital. A administração tem a meta de captar US$ 500 milhões em recursos para novas produções em cinema e TV. A MGM disse esperar que a decisão de um tribunal federal de falências relativa à reestruturação da empresa seja proferida em cerca de 30 dias.

Desde 2005, quando a empresa foi comprada por um grupo de fundos de private equity e pela rival Sony por US$ 2,85 bilhões, a situação financeira da MGM foi se deteriorando. A empresa também é dona da marca United Artists, sob a qual são produzidas os filmes do agente 007.

Nos últimos cinco anos, o estúdio tentou se reinventar de várias formas: buscou ressuscitar velhas franquias, como A Pantera Cor-de-Rosa, distribuiu filmes de orçamento médio em parceria com a The Weinstein Co. e promoveu refilmagens de sucessos antigos, como Fama. Entretanto, apenas a aposta nos filmes de James Bond, com Daniel Craig no papel central, revelou-se lucrativa. Neste ano, o único filme lançado pela MGM nos EUA foi a comédia A Ressaca, com John Cusack, que teve performance razoável, arrecadando US$ 50 milhões para um custo de US$ 36 milhões.

O portfólio de projetos futuros da empresa inclui, entretanto, O Hobbit, que será dirigido pelo vencedor do Oscar Peter Jackson, o mesmo da trilogia O Senhor dos Anéis, também baseada na obra de J.R.R. Tolkien. Em Hollywood, o envolvimento de Birnbaum e Barber, que produziram vários sucessos recentes para a Spyglass - entre eles Vestida para Casar, com Katherine Heigl, e O Procurado, com Angelina Jolie e Morgan Freeman -, é visto como fundamental para a continuidade do envolvimento da Metro em seu mais ambicioso projeto dos últimos anos.

Ao apostar na dupla de produtores, Carl Icahn acabou processado pela Lions Gate, sob a alegação de que ele teria interferido na tentativa do estúdio em promover uma fusão com a MGM. Ao optar pelos donos da Spyglass, Icahn exigiu também uma série de mudanças corporativas na Metro. / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

Bens e obrigações

Números da MGM:

4.080 é o número de filmes produzidos ou distribuídos pela MGM em sua história história, segundo o IMDB

18% do total da dívida estimada do estúdio está nas mãos do bilionário Carl Icahn

PARA LEMBRAR

Catálogo da MGM resume o cinema

Fundado em 1924 e conhecido pelo rugido do leão em seu logotipo, a MGM é conhecida pela franquia do agente James Bond - produzida sob o selo United Artists - e também por clássicos da era de ouro de Hollywood, como O Mágico de Oz, ...E o Vento Levou, Cantando na Chuva e Ben-Hur.

Graças a aquisições feitas ao longo de sua história, a MGM também é proprietária de todo o catálogo da United Artists e da Orion, que inclui mais de uma dezena de filmes de Woody Allen - incluindo o vencedor do Oscar Noivo Neurótico, Noiva Nervosa e clássicos como Hannah e Suas Irmãs -, além de produções populares da década de 70, como Rocky e Rede de Intrigas. A partir dos anos 80, a fonte de sucessos começou a secar, resumindo-se à série Poltergeist e a acertos esporádicos como Feitiço da Lua (1987), Thelma & Louise (1991), O Nome do Jogo (1995) e Hannibal (2002). Nas últimas décadas, o número de fracassos foi muito maior que o de êxitos, e incluiu "clássicos" trash, como Showgirls (1995), considerado um dos piores filmes de todos os tempos. 

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