EUA cobram abertura comercial de Brasil, Índia e China

Representante americano reiterou o compromisso de Obama em concluir a chamada Rodada Doha

JONATHAN LYNN, REUTERS

13 de maio de 2009 | 09h07

Os grandes países emergentes, como China, Índia, Brasil e África do Sul, devem se empenhar mais na abertura de seus mercados para garantir um novo acordo comercial global, disse na quarta-feira o representante comercial dos EUA, Ron Kirk.

Após dois dias de intensas negociações com seus interlocutores na Organização Mundial do Comércio (OMC), Kirk, no cargo desde março, disse que a recepção dada a ele não poderia ser melhor.

Ele reiterou o compromisso do presidente Barack Obama e dele próprio em concluir a chamada Rodada Doha da abertura comercial global, lançada em 2001.

"Nós a vemos não só como um componente crítico do que o presidente acredita que deva ser uma reação geral do mundo à atual crise econômica, mas também crítico para a sustentação de muitos dos nossos países menos desenvolvidos", afirmou ele em entrevista coletiva.

Mas, num recado aos grandes emergentes, ele disse que um acordo exige mais do que apenas a participação dos EUA.

Kirk esteve com representantes de mais de metade dos 153 países da OMC, inclusive nações da África e America Latina e da União Europeia -- maior parceiro comercial dos EUA.

Ele afirmou que a crise está afetando países como China e EUA, mas trazendo uma dor intolerável aos países mais pobres. Washington diz que tais países não deveriam ter de fazer sacrifícios na Rodada Doha.

Como os mercados norte-americanos já estão totalmente abertos a 98 por cento dos produtos dos países menos desenvolvidos, as próximas oportunidades deveriam vir dos grandes países emergentes, que ao abrirem seus mercados criariam uma situação de "ganha-ganha-ganha", segundo ele.

Para promover a Rodada Doha ao público interno, os EUA precisariam oferecer novas oportunidades às suas empresas. Kirk, ex-prefeito de Dallas, disse que o processo deveria gerar aberturas significativas de mercados para todos os países.

Segundo ele, os EUA não querem jogar fora o trabalho feito durante sete anos na Rodada Doha, mas estão buscando novos caminhos, já que o atual processo claramente não está funcionando -- as negociações estão paradas devido a discordâncias entre países ricos e pobres, especialmente a respeito de subsídios agrícolas e tarifas industriais.

Uma possibilidade, que Kirk não descartou, seria abandonar a busca por uma fórmula geral de cortes para subsídios e tarifas (as ditas "modalidades"), indo direto a negociações pontuais, inclusive em nível bilateral.

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