EUA culpam Brasil e Índia por fracasso de Doha

"O presidente está desapontado com certos países que estão bloqueando uma oportunidade de expandir o comércio global", afirmou o porta-voz da Casa Branca

Agencia Estado

22 de junho de 2007 | 16h43

A Casa Branca declarou nesta quinta-feira, 21, estar desapontada com o fracasso da reunião que tratou da Rodada de Doha de liberalização comercial, na Alemanha, e culpou Brasil e Índia cujos representantes participaram do encontro, por ficarem no caminho de um acordo que poderia ajudar nações menos desenvolvidas. "O presidente está desapontado com certos países que estão bloqueando uma oportunidade de expandir o comércio global", afirmou o porta-voz da Casa Branca, Tony Fratto.Durante a manhã, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, já havia anunciado o fracasso das negociações. Segundo ele, o motivo seria a impossibilidade de se chegar a um acordo sobre os cortes nos subsídios agrícolas. "Era inútil continuar as discussões com os números que tínhamos na mesa", disse em entrevista coletiva. As negociações eram descritas como cruciais para diminuir as diferenças de posição entre os países, a fim de abrir caminho para aguardado acordo da Organização Mundial do Comércio (OMC). Segundo Índia e Brasil, o fracasso se deve à recusa dos Estados Unidos em reduzir subsídios e às exigências feitas aos países em desenvolvimento para que cortem tarifas de importações de bens industriais. "Precisamos ter uma mudança de atitude para que haja progresso nas negociações", afirmou Amorim. A informação também foi confirmada pelo bloco europeu. "As conversas terminaram sem um acordo", disse uma autoridade da União Européia, acrescentando que representantes das partes ainda iriam conceder entrevistas para divulgação de mais detalhes.O fiasco da conferência de Postdam, na Alemanha, que termina dois dias antes do previsto sem qualquer resultado, terá repercussão direta sobre a capacidade da OMC em estabelecer novas regras para o comércio entre os países. Não há qualquer data para a retomada do processo de negociação iniciado em Doha, no Quatar, há seis anos.

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