EUA pedem que Brasil não eleve tarifas de importação

O representante dos Estados Unidos para assuntos comerciais, Ron Kirk, em uma carta obtida nesta quarta-feira, pediu para o governo brasileiro reconsiderar os planos "protecionistas" de aumento de tarifas de importação, algo que teria efeito negativo significativo sobre as exportações norte-americanas.

Reuters

20 de setembro de 2012 | 15h11

"Estou escrevendo para dizer em termos fortes e claros que os Estados Unidos estão preocupados com os aumentos de tarifas definidos e propostos no Brasil e no Mercosul", disse Kirk, em carta endereçada ao ministro de Relações Exteriores, Antonio Patriota, em 19 de setembro.

O governo anunciou este mês a elevação de tarifas de importação de 100 produtos de 12 para 25 por cento em média e afirmou que nova lista com mais 100 produtos será divulgada em outubro para enfrentar a crise internacional e a concorrência de produtos estrangeiros. As tarifas ficaram abaixo do teto de 35 por cento estabelecido junto à Organização Mundial do Comércio (OMC) .

"Vivemos um momento em que falta mercado no mundo e os exportadores vêm atrás do Brasil, que é um dos poucos países que crescem. A nossa indústria está sendo prejudicada com isso", na época o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Kirk afirmou que os EUA esperam que a elevação das tarifas do Brasil em 25 de setembro, ou próximo a esta data, e possíveis novos aumentos em outubro, "impactem significativamente as exportações dos Estados Unidos ao Brasil em áreas-chave que interessam aos EUA".

"Além disso, essas duas etapas de elevação tarifária seguem aumentos anteriores que foram implementados no decorrer do ano passado... O aumento de tarifas de importação pelo Brasil vai restringir significativamente o comércio em relação aos níveis atuais e claramente representa medidas protecionistas", ressaltou Kirk.

"O efeito geral é que uma gama mais ampla de bens industriais enfrentam condições de mercado em deterioração no Brasil", afirmou Kirk.

Ele também expressou preocupação com os parceiros comerciais do Brasil poderem responder da mesma forma, elevando suas próprias tarifas (de importação), uma medida que "amplificaria o impacto negativo" das ações brasileiras.

Segundo o representante norte-americano, os Estados Unidos não se sentem confortáveis com o fato de que os aumentos das tarifas sejam temporários.

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