EUA podem ter nota rebaixada mesmo com elevação do teto da dívida

Segundo economista da Decision Economics, isso ocorrerá se agências de rating entenderem que nível da dívida em relação ao PIB ainda está alto

Nalu Fernandes, da Agência Estado,

20 de julho de 2011 | 19h15

Os Estados Unidos estão muito perto de um acordo sobre o teto da dívida, uma vez que a administração Barack Obama está inclinada a aceitar um acordo de curto prazo. Mas ainda que o teto seja elevado, o mercado financeiro terá "muita azia", pois o país não está fora de perigo e pode ter a classificação soberana rebaixada pelas agências de rating, adverte o economista-sênior da consultoria Decision Economics, Cary Leahey.

O analista avalia que as agências de rating podem reduzir a classificação dos Estados se entenderem que o nível da dívida em relação ao PIB ainda permanecerá elevado após o acordo ou se não houver um plano significativo de redução do déficit fiscal para os próximos anos. "Se os EUA forem rebaixados da forma como o Canadá foi em 1994, de AAA para AA, não é o fim do mundo, pois o mercado de títulos do país é muito líquido e necessário para inúmeras transações. Então, depois de um ataque cardíaco de sete segundos a sete minutos, o mercado se acalmaria". Um colapso amplo dos mercados seria evitado, acredita Leahey, porque o país continuaria sendo AA. O problema é o que aconteceria com os fundos mútuos que, por razões de estatuto, são obrigados a ter em sua carteira de investimentos grandes posições em títulos AAA. "Provavelmente haveria uma retração no mercado acionário (dos EUA) de 5% a 10%", diz.

Leahey estima que os EUA estão muito perto de um acordo para o teto da dívida. A Casa Branca, prossegue ele, finalmente se aproximou das lideranças dos dois partidos para pressionar os republicanos mais conservadores na Câmara, com respeito a um pacote abrangente que poderia incluir aumento de imposto. O ponto difícil é que diversos lideres se recusam a aceitar qualquer forma de elevação de impostos, mesmo se houver menor carga tributária, ou seja, que se fechassem buracos e se obtivesse mais receita por meio de taxas menores com uma base maior de arrecadação. "A questão tem sido a intransigência dos republicanos", disse o economista, ao AE Broadcast Ao Vivo. "Então, o presidente Obama está tentando encontrar mecanismos para ampliar o teto por uma semana, duas semanas ou um mês, se este acordo de curto prazo for amplo, da ordem de US$ 4 trilhões ao longo de 10 anos". A questão é que embora o país esteja perto de um acordo, o analista reconhece que a intransigência dos republicanos pode forçar o acordo a sair no último minuto.

Se o relógio bater meia-noite em 2 de agosto e não houver uma ampliação do teto da dívida ainda que por 48 horas ou uma semana, o Tesouro pode vender ativos, como ouro e petróleo, acrescenta ele. O Tesouro optaria por vender ativos em vez de dar o calote. "Timothy Geithner começaria a vender coisas que mantém em estoque". Cary Leahey cita ainda que entre as ferramentas disponíveis ao Tesouro está a opção de fazer pagamentos seletivos. Mas estes pagamentos podem ser complicados e conduzir a uma recessão se o processo durar mais de algumas semanas, disse.

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