EUA pressionam G20 por transparência sobre alimentos, diz ‘WSJ’

Segundo publicação, secretário da Agricultura norte-americano quer que países não imponham restrições de exportação, um dos fatores que provocou a alta dos preços em 2008

Filipe Domingues, da Agência Estado,

22 de junho de 2011 | 13h54

Os Estados Unidos vão pressionar os outros países do grupo das 20 maiores economias do mundo (G20) por mais transparência sobre a produção de alimentos, os estoques de alimentos e os mercados abertos, para reduzir a volatilidade dos preços. A afirmação foi feita pelo secretário de agricultura norte-americano, Tom Vilsack, ao Wall Street Journal, antes do encontro de ministros do G20 que ocorre nesta quarta-feira, 22, e nesta quinta em Paris.

Vilsack espera que os países sejam desestimulados a impor restrições de exportação de alimentos, um dos fatores que provocou a alta dos preços em 2008 e novamente em julho do ano passado, quando a Rússia proibiu as exportações de grãos em meio a uma seca. "É difícil dizer a um país o que ele pode e não pode fazer", afirmou, na embaixada norte-americana.

Mas ele ponderou que há um "consenso internacional sobre o que são práticas apropriadas". Segundo Vilsack, o desejo da Rússia de integrar a Organização Mundial do Comércio (OMC) deve ser um fator que reduzirá as proibições de exportação no futuro. Ele avalia que tais restrições distorcem os preços no longo prazo.

Uma das ideias levantadas nas discussões para reduzir a volatilidade de preços de alimentos é melhorar o conhecimento sobre a produção e os estoques. A França, que preside o G20 neste ano, espera que os ministros cheguem a um acordo para estabelecer uma base de dados na sede da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), em Roma.

Entretanto, um problema é a falta de dados confiantes em países em desenvolvimento. Perdas após a colheita podem não ser registradas em áreas remotas. Vilsack afirmou que os Estados Unidos podem ajudar a fornecer dados mais precisos sobre alimentos por meio de seus satélites. "Muitos países enfrentam uma significativa diferença de tecnologia e capacidade entre as partes rurais, urbanas e suburbanas", comentou. "Estamos preparados para trabalhar com a comunidade internacional."

Uma transparência maior sobre os estoques provavelmente seria a forma mais eficiente de lidar com possíveis carências de alimentos em certos países, de acordo com Vilsack. A outra possível solução, disse ele, de se expandir as reservas de emergência, seria mais cara e mais complicada de gerenciar.

"Historicamente, sempre fomos reservados quanto aos estoques", admitiu. Mas em vez disso, "você deve saber onde os estoques estão. Você deve poder usar os estoques razoavelmente rápido. Você precisa perguntar o que é mais eficiente." As informações são da Dow Jones.

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