Europa precisa considerar garantias à dívida grega, diz ‘WSJ’

Em entrevista ao jornal, ex-presidente do banco central alemão disse que a resposta europeia à crise não ofereceu, até agora, uma solução de longo prazo à crescente dívida da Grécia

Angelo Ikeda, da Agência Estado,

27 de junho de 2011 | 09h55

A Europa precisa considerar a possibilidade de garantir toda a dívida da Grécia porque a única alternativa viável para Atenas é um calote desorganizado, que seria mais oneroso e poderia deflagrar uma crise financeira ainda maior, disse o ex-presidente do banco central alemão Axel Weber, em entrevista ao Wall Street Journal no domingo.

Em sua primeira entrevista desde que deixou o Bundesbank e o conselho executivo do Banco Central Europeu (BCE), no final de abril, Weber disse que a resposta europeia à crise até agora se concentrou apenas nas necessidades imediatas de recursos da Grécia, sem oferecer uma solução de longo prazo à crescente dívida do país.

Essa incerteza tem alimentado temores de que Atenas seja obrigada a dar um calote em suas dívidas e tem gerado instabilidade nos mercados. Infelizmente, disse Weber, as opções são muito limitadas: "ou um calote, ou "haircuts" parciais, ou uma garantia para o montante não pago da dívida grega. Os governos têm de decidir que opção eles querem adotar, mas a atual abordagem de sucessivos programas de ajuda inevitavelmente levará à última solução."

Essas garantias podem ajudar a persuadir os credores da Grécia a trocar a dívida atual por títulos de maior prazo, o que daria a Atenas mais tempo para pagar esses empréstimos.

Os bancos europeus, que detêm boa parte da dívida grega, estão relutantes em aceitar uma rolagem desses bônus, a menos que tenham garantias de que a dívida será paga. A Alemanha e outros países europeus se negaram até agora a oferecer garantias, argumentando que seria melhor para os bancos participar da rolagem voluntariamente.

Líderes europeus, no entanto, também querem evitar um pânico maior nos mercados e têm firmemente rejeitado a redução do montante da dívida, o chamado haircut, ou a ideia de um calote completo.

O acordo mais recente entre o governo grego, a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional (FMI) envolve um grande corte de gastos, um programa agressivo de privatização e a adesão voluntária dos credores à rolagem da dívida. Muitos investidores e economistas acreditam que a dívida grega, de 350 bilhões de euros, é muito grande para que a atual estratégia dê certo.

"As medidas que a Europa precisa adotar para resolver essa questão são muito mais profundas do que fundos para dar liquidez no curto prazo", disse Weber, acrescentando que a Grécia enfrenta um problema fiscal e estrutural que provavelmente requer um horizonte de 30 anos para ser resolvido. As informações são da Dow Jones.

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