Europa tem que mostrar que pagará dívida, diz BC europeu

Para Lorenzo Bini Smaghi, falta de explicações de políticos da zona do euro levou mercados a acharem que países estão mais propensos a declarar default

Agência Estado,

25 de setembro de 2011 | 13h03

Países da zona do euro precisam tomar atitudes decisivas para assegurar a investidores sua capacidade de pagar as dívidas, e dissipar a incerteza criada pela maneira como os governos trataram as preocupações com o bloco, disse neste domingo, 25, Lorenzo Bini Smaghi, membro do conselho executivo do Banco Central Europeu (BCE).

"Políticos acham que sabem melhor...Mas no processo de tomada de decisão eles não entenderam como o mercado funciona", disse Bini Smaghi durante conferência em Washington, em um ataque aos governos da zona do euro. "Eles criaram um mecanismo que o resto do mundo não entende. Isso levou os mercados a acharem que os países estão mais propensos a declarar default", completou ele.

As declarações de Bini Smaghi refletem o ponto de vista crítico do BCE a um acordo fechado entre a França e a Alemanha no ano passado para envolver credores de bônus privados em potenciais perdas devido a dívidas públicas insustentáveis. Governos da zona do euro traçaram um acordo em julho para envolver credores do setor privado no compartilhamento do ônus da dívida da Grécia após muita discussão com o BCE.

Mercados financeiros mostraram-se impacientes desde então devido ao lento processo de aprovação das reformas, que têm o objetivo de ampliar os poderes do fundo de resgate da zona do euro, a Linha de Estabilidade Financeira Europeia (EFSF, na sigla em inglês).

Países "precisam deixar claro que pagarão suas dívidas" mesmo ao custo de duros ajustes fiscais e mesmo que tenham que vender ativos para levantar o dinheiro necessário", disse Bini Smaghi. Eles também precisam demonstrar aos mercados que têm recursos suficientes para dar suporte a qualquer país da zona do euro que encontre dificuldades financeiras, completou ele.

EFSF

O diretor da Linha de Estabilidade Financeira Europeia (EFSF, na sigla em inglês), Klaus Regling, descartou neste domingo as sugestões de que o órgão deveria elevar seu poder de fogo através de empréstimo junto ao Banco Central Europeu (BCE).

Regling afirmou em uma discussão que "existem sérias preocupações" de que tal esquema não seja permitido de acordo com o Tratado da União Europeia, que proíbe o BCE de financiar governos diretamente.

 

"Existem outras maneiras de maximizar os recursos da EFSF", disse Regling.

Segundo um acordo assinado em julho, a zona do euro concordou em elevar a capacidade efetiva de empréstimo da EFSF para 440 bilhões de euros, ante 250 bilhões de euros atualmente. O mesmo acordo também amplia o alcance de ação da EFSF, permitindo que aja como comprador em último caso de dívidas de governos da zona do euro. A ratificação do acordo deve ser finalizada até o final do próximo mês nos 17 países da zona do euro.

Regling destacou que, até agora, somente uma pequena fração dos recursos da EFSF foi distribuída, apesar de ele não ter incluído em suas contas o segundo plano de resgate grego, no qual a EFSF contribui com uma grande parte do valor total de 109 bilhões de euros. As informações são da Dow Jones.

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