Embraer/Divulgação
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Eve, empresa de 'carro voador' da Embraer, estreia na Bolsa de NY com ações em forte queda

Outras empresas de 'carro voador' que abriram capital também têm sofrido com aumento da taxa de juros nos Estados Unidos

Luciana Dyniewicz, O Estado de S.Paulo

10 de maio de 2022 | 12h27

A Eve, subsidiária da Embraer que desenvolve o “carro voador”, estreou nesta terça-feira, 10, na Bolsa de Nova York com forte queda. Às 16h30, as ações da empresa caíam 19% e eram negociadas a US$ 8,48. A abertura de capital da Eve acontece após ela concluir o processo de fusão com a americana Zanite, uma Spac (companhia de propósito específico de aquisição, isto é, uma empresa que primeiro vai à Bolsa levantar recursos para, depois, encontrar um projeto no qual investir).

Antes de a fusão ser concluída, a Eve havia sido avaliada em US$ 2,4 bilhões e seus acionistas, injetado US$ 357 milhões no caixa da empresa. Desse total, 51,8% saiu da Embraer, 7% da Zanite e 41% de um consórcio formado por companhias como a fabricante de motores Rolls-Royce, as companhias aéreas SkyWest e Republic Airways, o Bradesco BBI, entre outras.

A estreia da Eve com queda na Bolsa segue um movimento que se observa já há alguns meses no segmento. Todas as empresas que desenvolvem eVTOLs ( sigla em inglês para veículo elétrico de pouso e decolagem vertical, como é chamado oficialmente o “carro voador”) e abriram capital registram desvalorização de seus papéis no mercado financeiro. Em média, o recuo foi de 57,5% (sem contabilizar a Eve).

Segundo analistas do mercado, as quedas se devem a um menor apetite ao risco dos investidores por empresas que ainda não registram lucro, apesar de terem grande potencial. Enquanto o Federal Reserve (o Banco Central americano, o Fed) não elevava a taxa de juros nos EUA, os investidores estavam mais dispostos a encarar risco. O cenário, no entanto, não é mais esse.

No segmento de eVTOL, os papéis da alemã Lilium, por exemplo, recuaram 70% desde que a empresa chegou à Bolsa. A empresa que menos perdeu até agora foi a Joby, com retração de 55%.

Esse panorama tem prejudicado companhias não apenas de eVTOL, mas de tecnologia das mais diversas áreas em todo o mundo. Um sinal disso é o desempenho, neste ano, da Nasdaq, a Bolsa americana em que as principais empresas do setor estão listadas. Enquanto a NYSE e o S&P 500 recuaram 12,8% e 16,8%, respectivamente, no acumulado do ano, a Nasdaq perdeu 26,6%. 

Além do panorama mais difícil para o setor de tecnologia, empresas de eVTOL têm ainda o desafio de viabilizar seus produtos e implementá-los no mercado. Isso significa que precisam desenvolver todas as tecnologias necessárias e conseguir a certificação dos órgãos reguladores, além de terem de criar a infraestrutura dos locais onde as aeronaves vão pousar, decolar e ser recarregadas. 

 

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