Aline Bronzati/Estadão
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Eve pode ter tamanho da Embraer em dez anos, diz presidente da fabricante aeronáutica

Companhia estreou com forte queda na Bolsa de Nova York, nesta terça-feira, 10, mas executivos seguem otimistas de que o novo negócio terá o poder de reduzir o tempo desperdiçado no trânsito em grandes cidades

Aline Bronzati, correspondente, O Estado de S.Paulo

10 de maio de 2022 | 15h01

NOVA YORK - A Eve, startup de carros voadores elétricos da Embraer, almeja a liderança global em seu negócio, com a proposta de resolver dois problemas chave da sociedade: o trânsito caótico das grandes cidades e a necessidade de reduzir as emissões de gás carbônico na atmosfera. "Em dez anos, a Eve pode ter o tamanho da Embraer hoje", disse o presidente da fabricante brasileira de aviões, Francisco Gomes Neto, em entrevista ao Estadão/Broadcast.

A Eve listou hoje suas ações na Bolsa de Valores de Nova York (Nyse), sob o código EVEX. Enquanto executivos e investidores participavam do evento de lançamento, com direito a um simulador do eVTOL – seu carro voador, em Wall Street, as ações da startup estrearam nos EUA com queda de cerca de 23,5%, cotadas a US$ 8,66.

A forte baixa tem por trás a perspectiva de longo prazo do negócio da Eve, que deve entrar em serviço somente em 2026. A listagem na Nyse ocorre após a startup da Embraer unir seus negócios com a norte-americana Zanite, uma companhia de propósito específico de aquisição (Spac, na sigla em inglês), voltada ao setor de aviação. A aprovação do casamento ocorreu na sexta-feira passada, como antecipou o Estadão/Broadcast. 

De acordo com o presidente da Embraer, a associação com a Zanite ajudará a acelerar o negócio da Eve. A empresa já tem 1,8 mil cartas de intenção que somam US$ 5,4 bilhões em pedidos feitos por 17 clientes de diversas regiões do mundo, dentre eles, operadores de avião e empresas de leasing.

Em termos de receita, a meta da Eve, afirma Gomes, a meta é alcançar os US$ 4,5 bilhões até 2030. Para chegar lá, o caminho financeiro já está estruturado. Com capital de US$ 380 milhões, a startup da Embraer avalia ter recursos suficientes para ir até a certificação de seus carros voadores, o que está previsto para acontecer em 2025. Por ora, descarta  novas rodadas de investimento.

"Obter a certificação (para os carros voadores) é um desafio, mas já estamos trabalhando com a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) formalmente, que também está em contato com as autoridades nos Estados Unidos e na Europa", disse Gomes, da Embraer.

Testes

Enquanto isso, a Embraer já faz testes do seu negócio de carros voadores. Demonstrações com um simulador de helicóptero foram feitas no Rio de Janeiro. Os resultados, conforme Gomes, foram impressionantes. Com o eVTOL, será possível ir do bairro da Tijuca ao Galeão em até 15 minutos. De carro, o mesmo percurso pode levar uma hora e meia, dependendo do trânsito. "É muita diferença", disse o presidente da Embraer.

O plano, de acordo com ele, é que a Eve entre em serviço em 2026. A princípio, o eVTOL comportará quatro pessoas, além do piloto. No futuro, porém, a Eve mira um carro voador autônomo. "Isso já acontece com os trens", compara o presidente da Embraer. Mas tal passo deve ser dado apenas depois de 2030, disse ele.

Também no longo prazo a Eve pode dar ânimo às ações da Embraer. Ontem, o Citi reduziu o preço-alvo da ADR da fabricante brasileira de aviões, para R$ 12,75, de R$ 13, após computar os resultados do primeiro trimestre e despesas financeiras mais altas. O banco norte-americano vê na Eve, porém, uma chance de recuperação dos papéis. Nesta terça-feira, as ADRs da Embraer tinham queda na Nyse.

"O cenário de curto prazo com inflação, aumento de juros, choque na cadeia de suprimentos e guerra, é difícil. A Eve é um projeto de longo prazo, para quando esperamos um impacto positivo (nas ações)", disse Gomes, acrescentando: "No curto prazo, nossas ações dependem muito desse cenário (macro)".

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