Ex-braço direito de Eike entra na briga do petróleo

A disputa de sete blocos entre a OGX, da holding EBX, e a estreante Ouro Preto, do engenheiro Rodolfo Landim, foi um dos momentos quentes do leilão da ANP 

Sabrina Valle, da Agência Estado,

16 de maio de 2013 | 21h25

Os três blocos arrematados pela estreante Ouro Preto na 11ª rodada de licitações da ANP deram o pontapé inicial na companhia. Mas não serão os únicos da petroleira, criada pelo engenheiro Rodolfo Landim, seis meses depois de o executivo deixar a EBX, em meio a uma batalha judicial com Eike Batista. A Ouro Preto quer entrar em novos blocos ainda neste ano, avalia áreas no exterior e já cogita, no futuro, abrir capital e entrar em águas profundas.

"O poder de fogo da companhia é significativamente maior (do que os três blocos arrematados)", disse Landim ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, na sede da companhia que preside, na Praia de Botafogo, Rio de Janeiro. "Não estamos nos cem metros rasos, somos maratonistas. O negócio é de longo prazo."

A empresa funciona há três anos em escritório com vista para o Pão de Açúcar. Landim passou este período estudando o mercado e esperando pelas oportunidades de investimento para gás e petróleo que surgiram apenas nesta semana. Hoje com 25 funcionários, a estreante pega emprestado o nome da rua onde está instalada, Visconde de Ouro Preto, expressão "ouro negro", usada em referência ao petróleo.

Juntos, os três blocos arrematados no Norte do País demandarão R$ 80 milhões entre pagamento pelas concessões e investimentos mínimos. Um deles, marítimo, tem potencial para petróleo. Outros dois, em terra, para gás. Estão nas bacias de Barreirinhas e Parnaíba, respectivamente, onde já atua o agora rival Eike.

A Ouro Preto tentou arrematar 13 blocos. A disputa de sete deles com a OGX foi um dos momentos quentes do leilão da ANP, o primeiro após cinco anos sem rodadas. A OGX saiu vitoriosa em dois. Os três arrematados por Landim não fizeram parte dessa disputa. O bloco 251 da bacia de Barreirinhas, por exemplo, ficou com a OGX com lance de R$ 40 milhões. O consórcio da Ouro Preto ofereceu R$ 1,58 milhão.

O conservadorismo das apostas sugere a diferença de estratégia em relação à OGX, que Rodolfo Landim presidiu e ajudou a fundar há seis anos. No leilão de estreia, em 2007, logo após a criação, a OGX chegou a pagar R$ 344 milhões por um só bloco na Bacia de Santos, que acabou devolvido à União por falta de petróleo.

Landim prefere não comentar a estratégia da agora concorrente. Embora nesta rodada tenha reduzido seus lances a 26% do que foi ofertado em 2007, a OGX ainda pagou ágios altos pelos 13 blocos arrematados. Landim diz apenas que espera sorte para a empresa onde deixou muitos colegas. Sobre a Ouro Preto, diz que "a pressa é inimiga da perfeição". "Vamos crescer devagar, de forma equilibrada", disse.

Os recursos que ficaram em caixa e eram destinados aos 10 blocos não arrematados devem ser usados para a aquisição de áreas. Os planos incluem participação no leilão de outubro, voltado para gás. Antes disso, também pode comprar blocos de concorrentes que queiram dividir com empresas o risco de áreas adquiridas neste leilão. "É comum isso acontecer, divide a exposição da empresa".

Landim conta que a Ouro Preto quer atuar primordialmente no Brasil, mas também estuda atividade no exterior e hoje avalia áreas na América Latina. Neste leilão, participou de alguns lances com a colombiana Pacific. "Estamos avaliando tudo."

Na área de gás, a estratégia será a de usar linhas de transmissão da rede elétrica, uma forma de viabilizar a exploração no Norte mesmo com a falta de uma rede disseminada de gasodutos no Brasil. A ideia de transformar o gás em energia na boca do poço e jogá-la no sistema elétrico está sendo estimulada pelo governo para o leilão de gás em outubro. O modelo é inspirado na experiência bem-sucedida no Maranhão da OGX/MPX.

No caso de petróleo, a empresa adquiriu o bloco 387 em Barreirinhas por acreditar que a formação geológica da região é muito parecida com a do megacampo de Jubilee, em Gana. Hoje, a Ouro Preto é classificada na ANP como operadora do tipo B, que permite exploração em terra e em águas rasas, mas não em águas profundas. "Este é um plano mais para frente, quando a companhia tiver condições de cumprir os pré-requisitos da agência", diz.

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